A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PROPPGI) e da Agência de Inovação, promoveu a 3ª edição do InovaRural. O evento aconteceu no Anfiteatro do Departamento de Parasitologia Animal entre os dias 05 e 06 de maio e integrou o III Seminário de Acompanhamento do Programa MAI/DAI, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além do Workshop de Inovação da Universidade.

Organizada pela Agência de Inovação da UFRRJ, a iniciativa, gratuita e aberta à comunidade acadêmica, teve como objetivo aproximar o desenvolvimento científico e a produção tecnológica da aplicação prática, além de incentivar dinâmicas competitivas que estimulem a criatividade para solucionar desafios reais. A programação incluiu atividades acadêmicas, apresentações de pesquisas e debates sobre a articulação entre ciência, setor produtivo e impacto social. O encontro também reuniu projetos vinculados ao Programa MAI/DAI, do CNPq, que incentiva pesquisas de interesse empresarial.
A cerimônia de abertura do InovaRural 2026 reuniu representantes da Administração Central da UFRRJ e da área de inovação da instituição, marcando o início das atividades. Compuseram a mesa o reitor Roberto de Souza Rodrigues; o pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, José Luis Luque; a pró-reitora de Extensão, Maria Ivone Martins; a diretora da Agência de Inovação, Patrícia Golo; e o coordenador do Programa MAI/DAI, Fábio Scott.
No discurso de abertura do evento, o reitor reforçou que a universidade vive um processo de construção de uma cultura voltada à inovação, e que a instituição vem estruturando, de forma gradual, mecanismos para sustentar essas iniciativas, além de buscar parcerias com setores públicos e privados. Segundo ele, esse movimento depende também do engajamento de docentes e estudantes na consolidação dessa nova tradição.
Fábio Scott ressaltou a importância da integração entre a universidade e o setor produtivo como caminho para o desenvolvimento tecnológico, destacando a necessidade de formação de mestres e doutores também voltados à atuação fora do meio acadêmico. Já Patrícia Golo apontou o crescimento do evento e o fortalecimento das políticas internas de inovação, com maior participação de empresas e projetos de incentivo, reforçando o papel do InovaRural como espaço de articulação entre o meio acadêmico e o mercado.
A palestra de abertura foi conduzida pelo secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luis Manuel Rebelo Fernandes, que apresentou o tema “Desafios e avanços da inovação no Brasil”. Ele evidenciou o principal desafio do país em transformar o conhecimento científico produzido internamente em eixo estruturante do desenvolvimento nacional, reduzindo a dependência de tecnologias externas.
Segundo o secretário, o Brasil consolidou ao longo das últimas décadas um sistema robusto de ciência e tecnologia, com a criação de instituições como CNPq e CAPES e a expansão da pós-graduação, mas ainda enfrenta dificuldades históricas de articulação com a indústria.
Nesse contexto, Fernandes defendeu o fortalecimento de políticas de inovação alinhadas a áreas estratégicas como saúde, energia, agroindústria, transformação digital e defesa, além da ampliação do investimento público por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Também apontou entraves, como a elevada taxa de juros e a insegurança jurídica na parceria entre universidade-empresa e, como meta, defendeu o aumento do investimento em P&D para cerca de 2% do PIB até 2034.

A programação do InovaRural 2026 também incluiu a Mesa redonda “Caminhos para o fortalecimento da inovação no setor agropecuário”, reunindo representantes do governo e do setor produtivo para discutir desafios estruturais e estratégias de integração do ecossistema de inovação no país.
Na abertura, o coordenador-geral de Articulação para Inovação do Ministério da Agricultura e Pecuária, Cesar Simas Teles, apresentou o programa Mapa Conecta: uma plataforma eletrônica desenvolvida para fortalecer o ecossistema da agropecuária brasileira, impulsionando a expansão econômica nacional, a competitividade do setor e a segurança alimentar.
A ferramenta busca estruturar uma rede integrada de conexão entre startups, investidores e ambientes de inovação. Com interface multilíngue, uso de inteligência artificial e navegação simplificada, a plataforma pretende se consolidar como referência mundial em inovação agropecuária, funcionando como vitrine e promovendo a interação entre os diferentes atores do setor e direcionando demandas a soluções capazes de gerar novos negócios. Atualmente, a iniciativa está em fase de implementação, com foco na captação de usuários e no mapeamento dos participantes.
Na sequência, o diretor industrial da Ceva Saúde Animal, unidade de Paulínia, Cassio Murin, encerrou a mesa citando que o principal desafio da inovação está na etapa entre a pesquisa e o mercado, que envolve escalabilidade, viabilidade econômica e adequação regulatória. Ele defendeu o fomento da integração entre empresas e o ensino superior desde as fases iniciais dos projetos e afirmou que a inovação não é invenção, mas sim um produto viável em escala, custo e regulação.

Texto: Edu Mendes e Karla Xavier, estagiários de Jornalismo da CCS/UFRRJ
Fotos: Edu Mendes, estagiário de Jornalismo da CCS/UFRRJ