A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) realizou, nesta terça-feira (13), a palestra “Violência de Gênero, Ação do Poder Público e as Especificidades da UFRRJ”, no Auditório Hilton Sales, no câmpus Seropédica. O encontro contou com a presença da deputada estadual Martha Rocha, reuniu estudantes, servidores e a comunidade acadêmica para discutir o enfrentamento às violências de gênero, políticas públicas e ações de acolhimento dentro da universidade.
A abertura da palestra foi realizada pelo reitor Roberto de Souza Rodrigues, que destacou a importância de promover debates sobre violência de gênero dentro do espaço público. Em sua fala, ele ressaltou a trajetória da deputada Martha Rocha em espaços historicamente ocupados por homens, tanto na segurança pública quanto na política, e afirmou que a universidade deve se posicionar diante das questões sociais presentes na Baixada Fluminense.
Segundo o reitor, discutir gênero dentro da academia é fundamental para construir políticas públicas e fortalecer ações concretas de combate ao assédio e às violências. Roberto Rodrigues também destacou o papel da UFRRJ como espaço público inserido na região da Baixada Fluminense, ressaltando a necessidade de aproximar a produção acadêmica das demandas sociais do entorno.
Durante sua fala, Martha Rocha apresentou um panorama histórico das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher no Brasil, abordando desde a criação das Delegacias de Atendimento à Mulher até a consolidação da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio.
A deputada também trouxe dados sobre violência de gênero no estado do Rio de Janeiro e refletiu sobre a naturalização de comportamentos machistas na sociedade. Ao discutir a aceitação social da violência doméstica, Martha Rocha criticou justificativas associadas ao consumo de álcool e drogas, destacando que 22,9% dos agressores afirmam estar sob efeito dessas substâncias no momento das agressões. “Ele não bate porque está bêbado. Ele bate porque vê ela como posse”, declarou. Ao longo da fala, ela destacou a importância da educação, do acolhimento institucional e da participação coletiva na construção de redes de proteção às vítimas.
Martha Rocha, que ingressou na Polícia Civil em 1983 e se tornou a primeira mulher a chefiar a instituição no estado do Rio de Janeiro, afirmou que o contato direto com vítimas de violência foi determinante para sua atuação na pauta dos direitos das mulheres. A deputada destacou que sua entrada na vida pública foi influenciada pela experiência adquirida durante os anos de atuação na corporação, especialmente no atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica.
Ao comentar a realidade enfrentada diariamente nas delegacias, a deputada relatou casos graves de agressão física contra mulheres e destacou o volume de ocorrências relacionadas à violência doméstica. “Hoje, um terço das ocorrências na Polícia Civil se refere à violência contra a mulher”, afirmou. Segundo Martha Rocha, o debate dentro das universidades contribui para enfrentar um fenômeno cultural que aceita e tolera a violência e fortalecer redes de proteção às vítimas.
Na sequência, a pró-reitora de Assuntos Estudantis, professora Joyce Alves, apresentou ações desenvolvidas pela Universidade voltadas à diversidade, à inclusão e ao enfrentamento às violências de gênero. Entre as iniciativas mencionadas, estiveram a criação da Coordenação da Política Institucional pela Diversidade, Gênero, Etnia/Raça e Inclusão (CPID), as campanhas permanentes de conscientização, a implementação do banheiro neutro, a facilitação da adoção do nome social e as políticas de cotas para pessoas trans.
Joyce Alves explicou que as ações desenvolvidas pela UFRRJ buscam atuar tanto no acolhimento às vítimas quanto na prevenção das violências dentro do ambiente acadêmico. A pró-reitora também destacou a criação de protocolos de denúncia e ações de acolhimento voltadas à comunidade universitária.
Em entrevista à CCS/UFRRJ, Joyce Alves afirmou que a presença da deputada Martha Rocha reforça o posicionamento institucional da universidade diante da pauta. Segundo ela, a realização da palestra poucos dias após a visita da ministra das Mulheres à universidade demonstra a importância de discutir o tema com a comunidade acadêmica e promover ações voltadas à prevenção das violências. “A universidade não pode falar sobre isso somente atrás das portas”, declarou.
A pró-reitora também ressaltou a importância da participação masculina no debate e afirmou que o combate à violência de gênero deve ser uma responsabilidade coletiva. “Essa discussão não é só das mulheres, essa discussão é de todo mundo. Enquanto a gente não conseguir envolver os homens, a gente não vai conseguir sanar esse problema no Brasil e no mundo”, afirmou.
Ao longo do encontro, palestrantes e participantes defenderam a importância do debate coletivo sobre violência de gênero dentro das universidades públicas, reforçando o papel da educação, das políticas institucionais e da participação social na construção de ambientes mais seguros e inclusivos.
“Debater a violência de gênero na Rural é também uma estratégia de prevenção. Quanto mais divulgamos essa temática, mais fortalecemos o compromisso de discentes, docentes, técnicos e terceirizados no enfrentamento e na prevenção dessa forma de violência”, afirmou Meiry Valentim, coordenadora da CPID.
A palestra foi uma iniciativa da Coordenação da Política Institucional pela Diversidade, Gênero, Etnia/Raça e Inclusão (CPID), em parceria com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis.

















Texto: Karla Xavier, estagiária de Jornalismo da CCS/UFRRJ
Foto: Laura Berg, bolsista de Jornalismo da CCS/UFRRJ e Edu Mendes, estagiário de Jornalismo da CCS/UFRRJ