Na terça-feira (07/07), o pró-reitor adjunto de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), professor Leandro Dias, participou de uma reunião na Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro para tratar de ações conjuntas que podem ser conduzidas entre a Universidade e instâncias públicas sobre o vazamento de chorume no Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos do Rio de Janeiro (CTR-Rio), o aterro sanitário de Seropédica. Junto ao pró-reitor, estiveram presentes, representando a Universidade, os docentes Everaldo Zonta, diretor do Instituto de Agronomia, e Heitor Farias, diretor do Instituto de Geociências da UFRRJ.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea-RJ) confirmou, em nota, na semana passada, que houve “o extravasamento de chorume bruto, com escoamento superficial em direção ao cinturão verde de contenção e a um corpo hídrico localizado nas proximidades” do aterro sanitário de Seropédica.
Segundo a nota, como medidas emergenciais, foram determinadas a contenção do vazamento e a remoção do chorume extravasado. Entre as ações adotadas estão também a abertura de uma cava para drenagem do efluente, a sucção do chorume por caminhões a vácuo, a remoção da camada superficial de solo contaminada para destinação adequada no próprio aterro e o esvaziamento da lagoa de chorume que deu origem ao extravasamento. As causas do acidente ainda estão sendo investigadas.
À época da implantação do aterro sanitário, a UFRRJ se posicionou contra sua instalação, alertando para os riscos ambientais implicados, especialmente os impactos de um possível vazamento no Aquífero Piranema. “O maior impacto é justamente a contaminação do Aquífero Piranema, protegido por areia e sedimentos permeáveis, mais frágeis na contenção da infiltração de chorume e de outros contaminantes. Além da contaminação de reserva estratégica de água, há certamente o espraiamento da contaminação, atingindo outros fluxos hídricos da região e contaminando o próprio solo”, ressaltou Leandro, em 2019, em entrevista ao jornal Rural Semanal, da Universidade, ao abordar a temática depois notícias sobre o vazamento de chorume no aterro.
Na reunião de terça-feira, estiveram presentes o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro, Rodrigo Mascarenhas, a presidente do Inea, Denise Marçal Rambald, o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro, Felipe Brasil, e profissionais do Inea que têm trabalhado na temática. Em relação ao poder público de Seropédica, estiveram presentes o vereador Max Goulart e o secretário Municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Bem-Estar Animal, Christian César Marcondes, com a participação de dois membros de sua equipe.
Além dos esclarecimentos das ações que estão em curso, ficou definida a realização de uma reunião do corpo técnico do Inea envolvido na questão com a Reitoria da UFRRJ, assim que a fase de coleta das informações mais detalhadas estiver concluída. Do mesmo modo, foi dialogada a construção de ações conjuntas e possíveis parcerias institucionais em prol de melhorias no entorno do CTR em Seropédica.
Na avaliação do pró-reitor adjunto, tratou-se de uma excelente reunião de trabalho. “A UFRRJ deve se envolver diretamente em ações que promovam qualidade de vida e a justiça ambiental no seu entorno. A cidade de Seropédica e a Baixada Fluminense como um todo não podem ser entendidas como zonas de sacrifício do modelo urbano urbano-industrial da região metropolitana fluminense. O professor Zonta fez uma importante apresentação que subsidiou com qualidade o debate e projetou possíveis parcerias institucionais. E no diálogo com a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro e com o Inea confirmamos que estão sendo empreendidos esforços adequados para resolução do recente extravasamento de chorume, bem como encontramos um importante espaço de interlocução institucional para essa e outras ações”, declarou.
Imagens: Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro
Texto: Fernanda Barbosa, jornalista e coordenadora da CCS/UFRRJ