A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizaram, na última sexta-feira (19/06), na sede do banco, a reunião de início (kickoff) do projeto de valorização do patrimônio imobiliário da universidade.

O encontro marcou a largada oficial dos estudos e das atividades de planejamento para o uso inteligente, eficiente e sustentável de uma área de aproximadamente 1.139 hectares localizada no câmpus de Seropédica.
O projeto busca estruturar parcerias com o setor privado por meio de modelos de concessão ou parcerias público-privadas (PPPs). Os terrenos continuarão pertencendo integralmente à universidade e à União, ou seja, a iniciativa não envolve a venda ou alienação de patrimônio público.

Como principal contrapartida para a UFRRJ, o futuro parceiro privado deverá implantar um Parque Ecotecnológico de inovação, voltado ao desenvolvimento científico, tecnológico e sustentável regional.
Durante o evento, representantes do consórcio contratado para apoiar a execução dos trabalhos de modelagem apresentaram suas respectivas empresas e cases de sucesso de seus portfólios que apresentam desafios e magnitude semelhantes ao que terão à frente do projeto da UFRRJ.
O consórcio, formado pelas empresas Vallya Holding Trust, Souto Correa Advogados, Jaime Lerner Arquitetos Associados, Modelar Engenharia e Avalicon, trata-se de um grupo de consultores técnicos que será responsável por elaborar estudos detalhados de viabilidade econômica, engenharia, meio ambiente e modelagem jurídica ao longo dos próximos meses. A expectativa é que o primeiro estudo seja entregue em fevereiro de 2027.




O reitor Roberto Rodrigues agradeceu a presença de membros do Conselho Universitário da UFRRJ na reunião, além de autoridades representantes de municípios da Baixada Fluminense e de atores estratégicos, convidados a participar do lançamento oficial.

“Quero agradecer a todos os representantes do Conselho Universitário que estão hoje aqui presentes e que vão fazer parte da tomada de decisão dentro da Universidade. Dentro deste projeto, a gente espera que, além de valorizar a nossa Universidade, ele gere também desenvolvimento para a região, por isso convidamos também as secretarias dos municípios de Seropédica, Itaguaí, Japeri e Piraí, além de representantes da secretaria de Estado. Todos são parceiros nossos e a ideia é que a gente tenha, em contrapartida, um ecossistema de inovação na região da Baixada Fluminense. Neste ecossistema, temos alguns parceiros que fiz questão que estivessem aqui presentes: a Embrapa, o IFRJ Paracambi, o Cefet-Itaguaí e a Fapur. Além disso, convidamos todos os parceiros que vão dar suporte a essa infraestrutura – a Rio+Saneamento, que tem sido uma parceira de nossa Universidade, a Light, que vem tendo um bom diálogo conosco, o Sebrae, a Firjan Nova Iguaçu, a Nuclep e nossos vizinhos parceiros, que é a Embrapa, além do presidente do ZPE no Brasil”, destacou Roberto, acrescentando que está com expectativa elevada de desenvolvimento para a Universidade e a região a partir do sucesso da iniciativa.
Luciene Ferreira Monteiro Machado, superintendente da área de Soluções para Cidades do BNDES, ressaltou que, neste projeto da UFRRJ, as palavras “tecnologia” e “ecossistema tecnológico” aparecem com frequência e o estudo conduzido pelo consórcio fará, justamente, um mapeamento das amplas possibilidades do ativo em relação aos seus usos. “Qualquer pessoa que passe pela região [Seropédica] entende o quanto a melhor mobilização daquela área pode trazer incentivos, além de ser uma área muito conectada em equipamentos logísticos relevantes do Estado, de interconexão, inclusive, com São Paulo. Portanto, há muitas potencialidades”, completou.

Luciene explicou ainda que, neste projeto, os stakeholders, ou seja, os atores interessados e envolvidos direta ou indiretamente na iniciativa, serão ouvidos ao longo do estudo feito pelo consórcio e não depois da modelagem pronta, como costuma acontecer em outros projetos conduzidos pelo banco. “Não temos, por hábito, fazer escutas ou ouvir os stakeholders previamente, mas só ao final. Em ativos com esse tamanho, potencial e complexidade, nós precisamos de outro tipo de estratégia no sentido de considerar todas as vertentes e de entender como elas se relacionam de forma profunda. Essa é uma camada às vezes até mais complexa do que a solução técnica que a gente vai propor. Isso é parte do trabalho do estruturador. Por isso, contem conosco, é para isso também que a Universidade contratou o BNDES”, destacou.
Flavio Papelbaum, líder do Departamento de Soluções Imobiliárias e Requalificação Urbana do BNDES explicou sobre os passos seguintes. “Ao ouvir a todos os interessados na região, sejam aqueles afetados, sejam aqueles que querem investir, ou seja, interessados de forma geral [stakeholders], a gente garante que leva o projeto para a etapa seguinte, chamada de roadshow, que atrai interessados em, de fato, investir. Quanto mais competição a gente atrair para esse processo, melhor, pois é desta forma que a Universidade consegue ter mais recursos para implementar suas contrapartidas em seu câmpus”, finalizou. Flavio também destacou a competência dos consultores que fazem parte do consórcio e relatou estar satisfeito com o time que conduzirá os estudos de modelagem econômica.


Em seguida, o gerente do Departamento de Soluções Imobiliárias e de Requalificação Urbana do BNDES e aluno egresso da UFRRJ e do CTUR, Leonardo Campos, detalhou como será o trabalho do consórcio. “Estou muito orgulhoso de estar trabalhando pela minha Universidade. O banco tem um processo interno que seleciona uma consultoria especializada para nos assessorar nessas pesquisas, nessa ida ao câmpus, nessas diligências. Esse processo de contratação chegou ao final. A empresa Vallya será a líder de consórcio e tocará o dia a dia do processo junto comigo. Além dela, temos o escritório Souto Correa modelando a parte jurídica, a Avalicon, focada na parte financeira do projeto, a Jaime Lerner e a Modelar Engenharia. Um time bastante grande de empresas se somando para fazer esse projeto da parte mais técnica de engenharia, de pensar urbanismo, de pensar o uso dessa área”, relatou Leonardo, acrescentando que foram sete consórcios interessados em participar do projeto. “Foi muito interessante esse projeto ter chamado a atenção de tantas consultorias, ter sete consórcios formados não é trivial”, finalizou.
Mauricio Taufic Guaiana, da Vallya, tomou a palavra, apresentando o consórcio, as etapas do projeto e um cronograma indicativo. “Para nós, é muito interessante um projeto como esse justamente pelo desafio que ele traz. É o que a gente chama, no ambiente de consultoria, de um projeto heterodoxo, ou seja, ele não tem uma regra, uma receita a ser seguida, há uma análise combinatória de possibilidades muito grande”, ressaltou. Mauricio explicou que a Vallya trabalha com o BNDES desde 2021 em consultoria e estudos de crédito, ou seja, como levantar recursos para os projetos, especializando-se, ao longo dos anos, na área de infraestrutura, desde setores mais tradicionais como rodovias e saneamento, até com concessões e PPPs de estrutura social, como as PPPs escolares e hospitalares, e de unidades de conservação, além de trabalhar com requalificação de ativos.
Todo o processo será coordenado e acompanhado de perto pelas equipes da UFRRJ e do BNDES, garantindo total transparência e respeito aos objetivos acadêmico-científicos da universidade.
Participaram da reunião pela UFRRJ, Roberto de Souza Rodrigues, César Augusto Da Ros, Marlucio Barbosa, Rubia Cristina Wegner, Caio Peixoto Chain, Eulina Coutinho Silva do Nascimento e Luis Americo Calcada. Pelo BNDES, estiveram presentes Luciene Ferreira Monteiro Machado, Flavio Papelbaum, Leonardo Felippe Viana Campos, Luiz Raul Delgado de Andrade, Zenon Farias Braga Filho, Paulo Franco Lustosa e Gustavo Souza de Azevedo. Também acompanharam o encontro, pelo consórcio responsável pelos estudos, Paulo Yoshikatsu Kawahara, da Jaime Lerner Arquitetos Associados; Fabrine Raupp Hartog Soares, Felipe Tremarin, Laís Ribeiro Avila, Mauro Batista Gomes, Rafaella Peçanha Guzela e Stela Hühne Porto, do Souto Correa Advogados; e Alan da Mota Penteado Rafaini e Mauricio Taufic Guaiana, da Vallya Advisors. Entre os convidados da UFRRJ, participaram Paula Caroline Quintanilha de Azevedo Mendes, da Câmara Municipal de Seropédica; Tamires Souza Pereira, Marília de Sant’Anna Faria e Renan Barbosa Santos, do Sebrae; Fernando Brunner, da Fapur; Manoel Lopes de Oliveira Neto, da Nuclep; Giovanna Curty, Daniella Cobra e Aline Silveira, da Light; Marcelo Kaiuca, da Firjan; Breno Borges Ribeiro Silva, secretário de Desenvolvimento Econômico de Piraí; Fabio Mofati, secretário de Governo de Seropédica; Cristhiane Oliveira da Graça Amâncio, da Embrapa; David Braga Pires da Silva e Thiago Matos Pinto, do IFRJ; Daduí Cordeiro Guerrieri, do Cefet Itaguaí; Paulo Vicente Leone, chefe de Gabinete da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Japeri; Ricardo Pinto de Oliveira e Helson Braga, da ZPE; Adriana Martins, da Associação das Indústrias; e Leonardo das Chagas Righetto e Marcelo Luiz Luvisotto, da Rio+ Saneamento.
















Texto e fotos: Fernanda Barbosa, jornalista e coordenadora da CCS/UFRRJ