Projetos integrados vão transformar mais de mil hectares do câmpus Seropédica
A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) inicia 2026 com a consolidação de dois projetos estratégicos e interligados. O primeiro diz respeito à valorização das terras da Universidade junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em área de mais de 1.000 hectares. O segundo é a implantação do EcoTec UFRRJ – Parque EcoTecnológico da Baixada Fluminense, que ocupará uma área de aproximadamente 88 hectares.
Valorização das terras
A UFRRJ e o BNDES formalizaram acordo de desenvolvimento econômico e acadêmico para a valorização de uma área do câmpus Seropédica equivalente a mais de mil campos de futebol (1.139,6 hectares). O projeto busca impulsionar o desenvolvimento de uma região considerada estratégica para a logística do Rio de Janeiro, localizada perto do Porto de Itaguaí e às margens da BR-465 (antiga Rio-São Paulo) e da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), principal ligação rodoviária entre o Rio e São Paulo.

Esses fatores tornam o local especialmente atrativo para investimentos em tecnologia, indústrias e equipamentos logísticos voltados à exportação. A iniciativa também contribui diretamente para a geração de emprego e renda, promovendo a capacitação e o aproveitamento da mão de obra local, além de fortalecer a economia regional por meio da integração entre a UFRRJ e a comunidade.
A parceria com agentes do setor produtivo, no âmbito de um arranjo de governança pública liderado pela UFRRJ, também pode contribuir para a geração de receitas patrimoniais extraorçamentárias destinadas a áreas fundamentais de atuação-fim da universidade, como educação e pesquisa.

“É uma parceria que se insere no planejamento estratégico da Rural, tendo como eixo central o fortalecimento do ensino, da pesquisa e da extensão. A iniciativa apoia a implantação do Parque EcoTecnológico, ampliando oportunidades de inovação, pesquisa aplicada e desenvolvimento sustentável, sempre sob a governança institucional, com respeito à autonomia universitária e às decisões colegiadas”, comemorou o reitor da UFRRJ, Roberto de Souza Rodrigues.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, por sua vez, destacou a experiência de iniciativas semelhantes estruturadas com instituições acadêmicas, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade de Brasília (UnB): “O BNDES tem uma longa experiência nesse tipo de projeto, já fez com outras universidades e vai fazer agora com a UFRRJ, promovendo desenvolvimento para a Universidade e para o município de Seropédica”.
A UFRRJ terá papel ativo na governança da parceria, e a expectativa é que o procedimento de concessão da área hoje inativa ocorra em 2027.
EcoTec UFRRJ
Com uma contrapartida do futuro concessionário, o projeto desenhado pelo BNDES vai permitir ainda a construção do EcoTec UFRRJ – Parque EcoTecnológico da Baixada Fluminense, em área total aproximada de 88 hectares, concebida para concatenar e integrar diferentes Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) já presentes na região, constituindo um hub efetivo de inovação e geração de conhecimento.

Para o pró-reitor adjunto de Planejamento, Avaliação e Desenvolvimento Institucional da UFRRJ, Marlucio Barbosa, o empreendimento organiza condições para que o conhecimento acadêmico produzido no ensino, na pesquisa e na extensão se converta em soluções, processos e tecnologias orientadas a demandas reais. “Todo esse processo ocorre em diálogo com o setor produtivo, com o poder público e com a sociedade, sem jamais renunciar às finalidades públicas, ao interesse coletivo e à autonomia universitária”, reitera.
Mais do que uma incubadora, a proposta é a estruturação de um complexo urbano capaz de transformar a economia da região. No espaço, serão abrigadas desde startups até empresas de maior porte e outras instituições interessadas em gerar inovação e tecnologia, mas também estágios, empregos, bolsas de pesquisa e outras formas de fomento à ciência.
Leandro Dias de Oliveira, pró-reitor adjunto de Pesquisa e Pós-Graduação da UFRRJ, explica que no plano urbanístico devem constar espaços destinados à administração, coworking, prototipagem, salas para pequenas empresas e terrenos comerciais, mas também áreas verdes e espaços culturais e de formação. “A intenção é que o Parque EcoTecnológico seja não somente um importante vetor para o desenvolvimento da cidade de Seropédica e do seu entorno, mas um lugar de promoção de inovação, tecnologia, saberes diversos e cidadania”, afirma.
Retrospecto da construção dos projetos
Com um dos maiores câmpus da América Latina – aproximadamente 4.113 hectares em Seropédica -, a UFRRJ viu as propostas de valorização das terras junto ao BNDES e de construção do Parque EcoTecnológico avançarem nos últimos dois anos como resultado de planejamento, articulação institucional e trabalho coletivo.
Em julho de 2024, representantes da gestão da Universidade reuniram-se com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para debater a criação de um parque tecnológico em Seropédica. Em dezembro do mesmo ano, a UFRRJ e a Finep lançaram memorando com vistas à assinatura de convênio para estruturação do projeto. A assinatura em si do memorando de entendimento ocorreu em 17 de janeiro de 2025 e envolveu outros dois parceiros além da Finep, a Prefeitura Municipal de Seropédica e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do município.

Na ocasião, o pró-reitor adjunto Leandro Dias fez um balanço sobre a consolidação da parceria: “A assinatura do Memorando de Entendimento foi um movimento importante que revela o protagonismo da UFRRJ frente ao tão almejado desenvolvimento socioeconômico da região. O Parque EcoTecnológico terá fundamental importância para que a Rural não somente amplie suas fronteiras, mas também se consolide como espaço de troca de conhecimentos e de transbordamentos de inovação e tecnologia para o entorno”.
Nos dias 4 de abril e 8 e 27 de maio de 2025, a Universidade, por meio de sua Agência de Inovação, promoveu reuniões públicas para debater os avanços no projeto do EcoTec UFRRJ, envolvendo desde os desafios da construção e as estratégias de captação de recursos até as vantagens comparativas locacionais. Houve destaque para apresentação de projetos de inovação desenvolvidos na Rural, além de visitas a instalações de pesquisas da Instituição, bem como à área destinada à construção do Parque.

Ainda em maio, representantes da Reitoria e da Agência de Inovação estiveram na sede da Finep para apresentar as atualizações sobre o EcoTec UFRRJ e discutir o andamento de projetos de investimento para a Universidade. No dia 28, o Conselho Universitário (Consu), durante sua 424ª Reunião Ordinária, aprovou por unanimidade o projeto de usos e valorização das terras do câmpus Seropédica. À frente da apresentação dos detalhes da iniciativa para os conselheiros, o pró-reitor adjunto Marlucio Barbosa afirmou: “O que testemunhamos hoje é um passo histórico e muito significativo para nossa Universidade”.
Em junho, a UFRRJ e o BNDES firmaram uma parceria para a estruturação imobiliária de 1.139,6 hectares da área do câmpus de Seropédica. Na ocasião, o banco publicou o Request for Information (RFI), documento que promove uma consulta pública por meio da qual o BNDES coordena a contratação de consultores para elaboração de estudos técnicos para o projeto.
Já em setembro de 2025, no dia 1º, o reitor Roberto Rodrigues e o pró-reitor adjunto Leandro Dias foram recebidos pela presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Caroline Alves da Costa, para tratar da possibilidade de apoio à implantação do EcoTec UFRRJ. No dia 9, ocorreu reunião com o novo presidente da Finep, Luiz Antônio Elias.
Em 3 e 7 de outubro, representantes da UFRRJ e do BNDES discutiram o andamento das propostas recebidas no RFI e a formalização da parceria entre as partes, então em fase de análise jurídica. Na ocasião, houve uma atividade de campo com visitas ao local onde será construída a via pavimentada que interliga a área interna do câmpus ao Parque EcoTecnológico, ao local da sede do Parque e ao acesso à Universidade a partir da rodovia RJ-099 (Reta de Piranema).


No dia 16 de outubro, pela primeira vez, a Reunião Ordinária do Conselho Empresarial da Federação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) Nova Iguaçu e Região foi realizada em Seropédica, no câmpus da Universidade. O motivo foi a inclusão da pauta “O Parque Tecnológico da UFRRJ: Uma Nova Fronteira para a Inovação Industrial na Região Metropolitana”. Presente no encontro, o vice-reitor da UFRRJ, César Augusto Da Ros, destacou: “O projeto do Parque tem um papel fundamental para a transformação da Baixada Fluminense. Ele criará um ambiente de inovação capaz de atrair empresas âncoras, gerar empregos e promover um desenvolvimento regional sustentável”.
Em 2 de dezembro, foi a vez da proposta do EcoTec UFRRJ ser apresentada à Faetec – Centro Vocacional Tecnológico Seropédica, localizada no Km 42 da RJ-099. No dia 10 de dezembro, a Universidade recebeu representantes da Prefeitura de Seropédica e de Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) do estado do Rio de Janeiro para a avaliação de uma futura assinatura de protocolo de intenções de participação no projeto do empreendimento. Na ocasião, o reitor Roberto Rodrigues anunciou que o início de 2026 será marcado pela formalização da governança da iniciativa.
O Regulamento Geral do EcoTec UFRRJ foi aprovado pelo Consu em reunião realizada no dia 16 de dezembro de 2025. A aprovação foi marcada pela análise da deliberação sobre a governança do Parque e do regulamento que estabelecerá as regras operacionais para seu funcionamento. A proposta inclui ainda a parceria estratégica com a Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Fapur), responsável pela gestão administrativa e financeira do empreendimento.

Durante a reunião, o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFRRJ, José Luis Luque, ressaltou o trabalho qualificado e comprometido das equipes da Coordenação de Pesquisa (Copesq) e da Agência de Inovação, da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG); da Pró-Reitoria de Planejamento, Avaliação e Desenvolvimento Institucional (Propladi); e do Instituto de Tecnologia, que têm atuado de forma integrada para viabilizar uma política de inovação de longo prazo.
Próximos passos
Com a assinatura do contrato com o BNDES, a UFRRJ entra na fase de estruturação técnica do projeto. O passo imediato será a contratação, pelo Banco, de consultores especializados para iniciar a modelagem econômico-institucional do território e do empreendimento.
Segundo Marlucio Barbosa, a modelagem abrangerá os 1.139 hectares destinados ao estudo de valorização territorial e, em paralelo, a elaboração do projeto de engenharia do EcoTec UFRRJ. “O objetivo final dessa etapa é o correto dimensionamento do valor da contrapartida de interesse da UFRRJ, ou seja, a consolidação do Parque EcoTecnológico da Baixada Fluminense como entrega estruturante para a região e para a Universidade”, detalha.
De acordo com a Administração Central da UFRRJ, ao longo desse processo, serão promovidas audiências públicas e instâncias formais de diálogo com a comunidade universitária e com os moradores de Seropédica, assegurando transparência, controle social e alinhamento às finalidades públicas do empreendimento. Após a modelagem, o projeto coletivo será submetido à apreciação e deliberação do Consu.
“Uma vez aprovados os estudos, passam a ser adotados os procedimentos formais de concessão de uso da área, sempre com salvaguardas institucionais e mecanismos de governança que preservem a autonomia universitária e garantam a natureza pública da nossa missão educacional”, conclui Barbosa.
Assista a seguir o vídeo em que o reitor da UFRRJ, professor Roberto Rodrigues, comenta a celebração do acordo de desenvolvimento econômico e acadêmico com o BNDES:
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Edição: Michelle Carneiro, jornalista da Coordenadoria de Comunicação Social (CCS/UFRRJ). Com informações da Agência BNDES de Notícias.