O que começou como uma iniciativa acadêmica se tornou um pilar de recuperação ambiental na Baixada Fluminense. A estudante Ingrid Loureiro, do curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), lidera um trabalho de reflorestamento que une a universidade e a sociedade civil para transformar a paisagem da Serra do Vulcão, no Maciço Gericinó-Mendanha.

O projeto, fundado por ela e realizado em parceria com o Instituto Educação Ambiental e Ecoturismo (EAE), já contabiliza mais de 5 mil árvores plantadas desde 2019. A ação mais recente marcou a criação da “Floresta do Educador do Campo”, uma “ilha verde” temática desenvolvida durante o Tempo Comunidade do curso da UFRRJ.
Na ocasião, 50 mudas de Mata Atlântica foram integradas ao ecossistema local, reforçando uma iniciativa que já completa sete anos de mobilização na área próxima ao Shopping da Pedreira.
Recuperação e lazer na Baixada
Para Ingrid, o propósito do projeto vai além do plantio técnico: o objetivo é converter áreas degradadas em espaços de lazer e valorização do patrimônio para a população local.
“A recuperação ambiental está aliada à preocupação com o lazer, para que famílias possam visitar e utilizar aquele espaço como um patrimônio. É algo que temos muito nos locais centrais do Rio, mas que na Baixada ainda não tínhamos tanto. Queremos mostrar que a sociedade pode se mobilizar pela justiça climática na prática”, afirma a estudante e fundadora do projeto.
O método das “Ilhas Verdes”
O trabalho utiliza a metodologia de “ilhas verdes”, que consiste em plantios mensais comunitários envolvendo escolas, moradores e universidades. Além da recuperação da fauna e flora, essas ações têm impactos práticos na infraestrutura urbana de Nova Iguaçu, auxiliando na recuperação de nascentes e na diminuição de alagamentos na cidade.
A iniciativa também se consolida como uma importante via de extensão universitária, permitindo que alunos da UFRRJ apliquem conhecimentos teóricos na busca por soluções reais para os territórios onde vivem e trabalham.
“É sobre criar um espaço de recuperação ambiental e de trocas sociais. Uma forma de os alunos terem conhecimento sobre essa área tão importante para a Baixada e pensarem em possibilidades para o nosso campo de atuação”, explica Ingrid.


Impacto e continuidade
A parceria com o Instituto EAE, que promove o ecoturismo e a educação ambiental na região, potencializa o alcance do trabalho fundado pela estudante. Ao envolver diretamente a sociedade civil no plantio das 5 mil árvores registradas nos últimos anos, o projeto fortalece o sentimento de pertencimento e prova que a preservação ambiental é um caminho viável para o desenvolvimento social e a qualidade de vida na Baixada Fluminense.
Texto: João Coutinho, estagiário de Jornalismo da CCS/UFRRJ
Imagem: arquivo pessoal