Mostra internacional organizada por pesquisadora da UFRRJ, em parceria com a Universidade de Bolonha, reúne saberes e expressões da sociobiodiversidade amazônica e segue em cartaz na Itália após grande procura do público

A professora Camila do Valle, do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem e Literatura da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e do Departamento de Letras do Instituto Multidisciplinar (IM), coorganizou uma série de eventos em parceria com a Universidade de Bolonha, na Itália. As atividades incluíram duas exposições e um seminário internacional, realizados a partir das pesquisas desenvolvidas no grupo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Literatura e Antropologia: curadorias, cartografias e outras formas narrativas, coordenado pela professora junto à antropóloga Cynthia Martins, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), e sediado na UFRRJ
A iniciativa foi realizada em consonância com o grupo italiano Letterature e patrimoni indigeni, musealizzazione e decolonialità, sediado na Universidade de Bolonha e coordenado pela professora Alessia Di Eugenio.
O seminário ocorreu em dezembro de 2025, no Dipartimento di Lingue, Letterature e Culture Moderne da Universidade de Bolonha, próximo às datas de inauguração das duas exposições. As mostras foram abertas em cidades diferentes: uma em Bolonha, na Biblioteca Amílcar Cabral, dedicada à literatura e à arte indígena contemporânea da Amazônia brasileira, e outra no Museo Civico di Modena.
A exposição de Modena, intitulada Voci, saperi, patrimoni. Dall’Amazzonia al Museo (tradução: Vozes, saberes e patrimônio: Da Amazônia ao Museu), foi inaugurada em dezembro e tinha encerramento previsto para o fim de março. No entanto, devido à grande procura de universidades e escolas, inclusive de outras cidades italianas, como a Universidade de Milão, a mostra teve sua temporada prorrogada até 19 de abril.
A professora Camila do Valle participou das atividades como palestrante e esteve à frente da coordenação e da curadoria das duas exposições, resultado de sua atuação como professora convidada na Universidade de Bolonha em 2024. As iniciativas nasceram de uma cooperação técnico-científica construída a partir do diálogo iniciado anos antes com o pesquisador e historiador da literatura brasileira na Itália Roberto Vecchi, coordenador da Cátedra Eduardo Lourenço, sediada na mesma universidade.
As curadorias foram desenvolvidas em colaboração com pesquisadores de diversas instituições brasileiras e italianas, incluindo a Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Roraima (UFRR), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), além de pesquisadores vinculados à Universidade de Bolonha e ao Museo Civico di Modena.
Destaca-se também a contribuição do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, coordenado pelo antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida, para a concepção da mostra sediada em Modena.
Um dos aspectos centrais da exposição foi a construção de uma curadoria compartilhada horizontalmente com os sujeitos que representam a sociobiodiversidade amazônica, quilombolas, indígenas, quebradeiras de coco babaçu e ribeirinhos Dentre eles estão Dona Maria Nice Costa (CCS Apolônio Machado), Seu Ednaldo Padilha (CCS Mãe Pruquera), Dona Maria Alice Karapãna, Seu Daniel, a pesquisadora e quilombola Juliene Pereira dos Santos (Ufopa e CCS Mãe Cachoeira) e a pesquisadora da UnB, indígena kokama, co-chair do Projeto de Línguas Indígenas da Unesco, Altaci Kokama Rubim. Também a afrorreligiosidade amazônica esteve presente com o pesquisador Reginaldo Conceição da Silva, da UEA, campus de Tabatinga (AM).
Já a exposição dedicada à literatura e à arte indígena contemporânea foi assinada pela coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRR, Veronica Prudente Costa, em curadoria conjunta com Alessia Di Eugenio e Camila do Valle, além da pesquisadora, editora e escritora indígena da etnia macuxi Sony Ferseck, doutora em Literatura Comparada. Intitulada em língua macuxi YEI YAMÎ YONPA UURÎ, WEI YAMÎ YONPA UURÎ / SOMOS PARENTES DA ÁRVORE, SOMOS PARENTES DO SOL, a mostra foi inaugurada com cantos e rituais indígenas.
Além de Roberto Vecchi e Alessia Di Eugenio, o seminário contou com a participação de pesquisadores italianos como como Valeria Corossacz, da Universidade Roma3; Francesca Di Rosa, da Universidade de Nápoli L’Orientale; Nicola Biasio, da Universidade de Padova; Vincenzo Russo, da Universidade de Milão; e Davide Domenici, da Universidade de Bolonha. Também pesquisadores ligados a museus como Carolina Orsini, de Mudec, Milano; Francesca Piccinini, Elena Righi e Cristiana Zanasi, de Museo Civico di Modena; e o pesquisador museu francês Musée du Quai Branly Benoît de L’Estoile.
O evento contou com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovaçã da UFRRJ (PROPPGI), que dará continuidade celebrando um convênio amplo com a Universidade de Bolonha e recebendo seus pesquisadores em nossa instituição.

















Texto: Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PROPPGI)