Na manhã da última quinta-feira (12/02), o reitor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), professor Roberto de Souza Rodrigues, realizou uma visita institucional ao Complexo Cultural Mário Marques, em Nova Iguaçu. A agenda teve como ponto central a exposição “Arte & Devoção – A Escultura Religiosa no Brasil Colonial”, atualmente em cartaz no espaço, e abriu diálogo para futuras parcerias entre a universidade e o município.

A comitiva da UFRRJ foi composta pelo reitor, pelo pró-reitor adjunto de Extensão, professor Marcos Estevão Gomes Pasche, pelos servidores técnicos Camila Eller Gomes, Luis Fernando de Souza da Rocha e Thalles Yvson Alves de Souza, além da jornalista bolsista da Proext, Victória Silva. O grupo foi recebido pelo secretário municipal de Cultura de Nova Iguaçu e historiador Marcus Antonio Monteiro Nogueira, responsável por conduzir a visita guiada à mostra.
A exposição “Arte & Devoção” reúne mais de 350 peças de arte sacra produzidas entre os séculos XVI e XIX, com obras de origem brasileira, portuguesa e espanhola. Entre os destaques estão seis trabalhos atribuídos a Antônio Francisco Lisboa, que nunca haviam sido apresentados ao público em mostras museológicas.
O conjunto expositivo contempla ainda esculturas atribuídas a importantes nomes da arte colonial, oferecendo um panorama abrangente da produção religiosa no Brasil e sua relação com a formação histórica e cultural do país.
Durante a visita, Marcus Monteiro contextualizou as obras, detalhando suas origens, técnicas e trajetórias históricas. A apresentação assumiu caráter didático, aproximando a experiência de uma verdadeira aula sobre arte sacra e patrimônio cultural brasileiro.
Em diferentes momentos, o secretário destacou que o valor de um espaço cultural não está apenas na infraestrutura, mas sobretudo no acervo e na equipe responsável por sua preservação e interpretação. “Não adianta ter os melhores recursos se não houver o que mostrar”, ressaltou, ao defender que o patrimônio cultural precisa ser sustentado por pesquisa, conhecimento e compromisso institucional.









Ao longo da conversa, um dos pontos mais enfatizados foi a convergência entre a missão do complexo cultural e a da universidade. Segundo Monteiro, tanto o complexo cultural quanto a UFRRJ têm como eixo central a produção de conhecimento. “Não se trata de um ‘copia e cola’, mas de pesquisa, reflexão e evolução humana”, afirmou, ao defender a importância de parcerias que fortaleçam a investigação acadêmica e a difusão cultural.
Também foi discutida a realidade da Baixada Fluminense no cenário cultural. De forma franca, os participantes reconheceram a histórica carência de investimentos em museus, centros culturais e políticas de preservação na região, frequentemente colocada à margem das prioridades institucionais.
Nesse contexto, iniciativas como a exposição em cartaz no Complexo Cultural Mário Marques representam, segundo os presentes, um movimento de afirmação e valorização da produção cultural local e também como espaço de apreciação da arte canônica.
Propostas
A visita avançou para a construção de propostas concretas. Entre as possibilidades discutidas está a realização de uma exposição das obras do complexo cultural no câmpus da UFRRJ, em Nova Iguaçu. Outra ideia apresentada foi a criação de um museu no próprio câmpus universitário, ampliando o acesso à arte e consolidando um espaço permanente de preservação e pesquisa.
Roberto Rodrigues destacou que, embora existam desafios institucionais e orçamentários, o diálogo estabelecido representa um passo significativo. Segundo ele, o “sonho foi colocado” e, a partir deste encontro, inicia-se um trabalho para avaliar caminhos
viáveis e marcar uma nova reunião entre as instituições.
Por fim, ficou acordado que a conversa terá continuidade logo após o carnaval, reforçando o compromisso mútuo com a cultura, a pesquisa e o fortalecimento da Baixada Fluminense como território de produção artística e intelectual.
Texto e fotos: Victória Silva, jornalista bolsista da Proext/CCS.