Projeto internacional fortalece a cooperação científica e promove o desenvolvimento de metodologias inovadoras para a inclusão e equidade educacional

No dia 24 de março de 2024, a Associação Mundial de Pesquisa em Educação (WERA) ocorreu o lançamento da rede internacional TIRPP (Development of Inclusive Sustainable Education for All), um marco para a cooperação científica global que reúne pesquisadores de cerca de 18 países sob a coordenação da Universidade da Noruega. Na América Latina, o protagonismo da iniciativa cabe à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), sob a liderança da professora Márcia Denise Pletsch.
O projeto institucional foca na criação de práticas educacionais responsivas e sustentáveis em territórios de vulnerabilidade social, desenvolvidas na Baixada Fluminense por meio de estudos colaborativos com metodologias inovadoras sobre a inclusão de pessoas com deficiência em cenários de crise e policrise.
No projeto, a professora será responsável pela coordenação de um eixo voltado à América Latina, focado em educação inclusiva em territórios socialmente vulneráveis. Para Pletsch, a integração ao grupo representa um avanço na visibilidade da produção científica brasileira e também das pesquisas desenvolvidas na UFRRJ. “É uma conquista importante, que possibilita não só a divulgação do que temos produzido, mas também a construção de novas parcerias internacionais”, destaca.

A pesquisa trabalha com princípios metodológicos desenvolvidos pela professora sob o conceito de “pesquisa cidadã transformadora”, que busca produzir conhecimento em conjunto com os sujeitos envolvidos, promovendo também retorno social às comunidades participantes, mas sobretudo, às pessoas com deficiências e suas famílias. A proposta rompe com modelos tradicionais de produção/coleta de dados ao envolver diretamente famílias, gestores e pessoas com deficiência na construção do conhecimento científico. “Não fazemos pesquisa sobre os sujeitos e sobre as escolas, mas com os sujeitos e com as escolas. É uma forma de garantir que a ciência produzida na universidade tenha retorno social direto para as escolas e pessoas da Baixada Fluminense”, destaca a professora.
De acordo com Pletsch, o avanço dessas iniciativas está diretamente relacionado ao financiamento público. Especialmente por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), que viabilizam tanto o desenvolvimento das pesquisas quanto a participação em articulações internacionais.
Texto: Gabriel de Lima, estagiário de Jornalismo da PROPPGI/CCS.
Revisão: Jonathan Monteiro, jornalista e bolsista de Jornalismo da PROPPGI/CCS.
Foto: Reprodução/Eugloh; e acervo pessoal de Pletsch.