A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) participou, na última quinta-feira (14/05), da sessão pública de pré-estreia do documentário “João Cândido: Um Herói Sem Máscara”, realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ).
O produto faz parte do projeto “João Cândido: Direito à Memória, Justiça e Reparação”, uma parceria da Universidade com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Ele é fruto de um Termo de Execução Descentralizada (TED), e a Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica (FAPUR) é a entidade responsável pela administração dos recursos.
O documentário conta com a pesquisa e o roteiro de Álvaro Pereira do Nascimento, coordenador do projeto e professor de História do Instituto Multidisciplinar, câmpus Nova Iguaçu.
Participaram da cerimônia de abertura Janine Mello, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Yole Mendonça, diretora executiva do Museu de Arte Moderna, Caroline Reis, secretária-executiva do Ministério, Álvaro Pereira do Nascimento e Adalberto Cândido, o Candinho, único filho vivo de João Cândido.
A produção resgata a história e o legado do Almirante Negro, líder da Revolta da Chibata, que aconteceu no Rio de Janeiro em 1910. João Cândido liderou o movimento que lutava pelo fim dos castigos e pela libertação dos marinheiros negros. “O documentário é o resultado de um trabalho de muitos anos. Eu pesquiso a Revolta há mais de 30 anos e, ao longo desse tempo, pude perceber as injustiças que foram construídas sobre João Cândido, que tanto lutou para acabar com os castigos corporais e exigir melhores condições de trabalho para os marinheiros”, comentou Álvaro.
O documentário apresenta João Cândido como um herói emblemático, destacando sua atuação na defesa dos direitos humanos. Além disso, evidencia o processo de apagamento enfrentado pelo Almirante ao longo das décadas e reforça a importância do direito à memória e da preservação de personagens da história do Brasil.
“João Cândido foi uma pessoa que ousou afirmar que nenhum projeto de país poderia existir às custas de tentativas de desumanização de pessoas negras e trabalhadoras. Na sua relação com o mar, na sua dedicação ao bordado, João sobreviveu, se recusando a permitir que essa tentativa de desumanização definisse a sua existência. Talvez uma das maiores violências praticadas contra a população negra ao longo da nossa história e que se repete até hoje, é a tentativa permanente do apagamento dessa memória. Dos seus nomes, das suas trajetórias, contribuições, da sua humanidade. Tentaram fazer isso com João Cândido”, destacou a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello. Ela defende que a produção de documentários como esse é um ato de compromisso com os direitos humanos, uma vez que preserva a memória e o legado dessas histórias.
“Ter o Candinho aqui, representando a família de João Cândido é fundamental porque a história do povo negro no Brasil ainda mantém-se como uma história perseguida. João Cândido foi anistiado duas vezes e essa reparação até hoje não chegou. E isso é muito duro. Precisamos, urgentemente, da reparação financeira dessa família. Isso é fundamental”, disse Álvaro Pereira do Nascimento.





Texto e fotos: Laura Berg, bolsista de Jornalismo da CCS.