Diretrizes da UFRRJ, alinhadas à Política de Integridade do CNPq, indicam como ferramentas generativas podem ser utilizadas com transparência na pesquisa

A utilização de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa (IAG) na pesquisa acadêmica vem sendo acompanhada por novas orientações institucionais. Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), memorandos da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PROPPGI) detalham como essas tecnologias podem ser incorporadas aos trabalhos científicos.
Segundo o Memorando Circular nº 88/2026 – PROPPG, foi encaminhado um modelo de declaração para uso de IAG em produções acadêmicas, como dissertações, teses, artigos e livros . A proposta busca padronizar a forma como pesquisadores informam o uso dessas ferramentas, indicando qual tecnologia foi utilizada, com que finalidade e em qual etapa da pesquisa, além de reforçar a responsabilidade do autor sobre o conteúdo final.
As orientações dialogam com a Portaria nº 2.664/2026 do CNPq, que institui a Política de Integridade na Atividade Científica. O documento recomenda que o uso de Inteligência Artificial seja explicitado ao longo do processo de pesquisa e destaca que conteúdos gerados por essas ferramentas não devem ser apresentados como integralmente autorais. Também enfatiza que eventuais erros, imprecisões ou problemas éticos permanecem sob responsabilidade dos pesquisadores.
Já o Memorando Circular nº 93/2026 – PROPPG complementa as orientações que a declaração pode ser inserida nos trabalhos na parte pré-textual, após os agradecimentos . A medida busca facilitar a identificação dessas informações e contribuir para a transparência na produção científica.
As diretrizes refletem um movimento mais amplo de instituições de ensino e pesquisa diante do avanço das tecnologias generativas. Em vez de restringir o uso, as normas indicam caminhos para sua adoção responsável, com transparência, na revisão crítica e na integridade científica.
Na prática, a Inteligência Artificial passa a ser compreendida como uma ferramenta de apoio ao trabalho acadêmico, cujo uso, quando informado de forma clara, pode coexistir com os princípios éticos da pesquisa.
Texto: Jonathan Monteiro, jornalista e bolsista da PROPPGI.
Foto: Miriam Braz, fotografa da CCS/UFRRJ.