Na segunda-feira, 9 de março, às 12h30, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro realizou a cerimônia de inauguração do Banco Vermelho no hall do P1, prédio principal do câmpus de Seropédica. A instalação integra uma campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência de gênero e ao feminicídio. O evento reuniu estudantes, servidores técnico-administrativos, docentes, integrantes da Administração Central e apoiadores da causa.

A iniciativa faz parte de uma mobilização nacional promovida pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que incentiva universidades públicas a aderirem à campanha como forma de dar visibilidade à luta contra o feminicídio e estimular o debate sobre violência de gênero no ambiente acadêmico. Com a instalação do banco em um espaço de grande circulação da universidade, a proposta é manter o tema em evidência e reforçar o posicionamento institucional da universidade diante dessa pauta.
Durante a cerimônia, o reitor da UFRRJ, professor Roberto de Souza Rodrigues, destacou a necessidade de ampliar o engajamento da comunidade acadêmica no enfrentamento à violência contra as mulheres e ressaltou a importância da participação dos homens nesse processo. Segundo ele, o combate à violência de gênero também passa pela educação e pela mudança de atitudes no cotidiano.
“Principalmente nós, homens, precisamos assumir a defesa contra a violência contra a mulher. Precisamos nos posicionar, falar sobre isso e combater a cultura do machismo desde a criação dos nossos filhos e filhas”, afirmou.

O reitor também ressaltou que a Universidade tem buscado transformar o debate sobre o tema em ações institucionais. Entre as iniciativas mencionadas está a proposta de criação de uma Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assuntos Estudantis, que deverá ampliar políticas voltadas ao enfrentamento de diferentes formas de discriminação dentro da instituição (a proposta ainda será apresentada ao Conselho Universitário).
“É uma etapa importante para que a gente não fique apenas nas campanhas e nas falas, mas também tenhamos atitudes concretas”, destacou.
Durante o evento, a coordenadora da Coordenação da Política Institucional pela Diversidade, Gênero, Etnia/Raça e Inclusão da UFRRJ (CPID), Meiry Valentim, ressaltou o caráter simbólico do Banco Vermelho e sua importância como marco de posicionamento da Universidade.
“O Banco Vermelho é simbólico, mas ele marca a posição da universidade na luta contra o feminicídio e contra a violência de gênero”, afirmou.
Ainda durante a cerimônia, Meiry destacou que a universidade tem buscado ampliar políticas institucionais voltadas à diversidade, incluindo ações relacionadas à promoção da igualdade racial, ao enfrentamento da LGBTfobia e à garantia de acessibilidade e permanência estudantil. Segundo ela, essas iniciativas deverão ganhar maior estrutura com a conversão da atual Pró-reitoria de Assuntos Estudantis em Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assuntos Estudantis.
“A proposta é fortalecer políticas de ações afirmativas sempre pensando na diversidade dentro da universidade”, explicou.
Em entrevista concedida após o evento, a coordenadora reforçou que a campanha do Banco Vermelho tem caráter permanente e busca ampliar a visibilidade do enfrentamento à violência de gênero no ambiente universitário.
“É um ato simbólico. O banco em si não acaba com o feminicídio, mas ele marca um lugar: o nosso compromisso”, afirmou.
Meiry também destacou que a instalação do banco ocorre no contexto de outras iniciativas desenvolvidas pela universidade ao longo do mês de março. Entre elas, está a campanha Mulheridades, que neste ano traz como tema “A Rural contra o feminicídio”. A proposta envolve a realização de atividades em diferentes institutos da universidade, incluindo debates, rodas de conversa e ações de conscientização.
De acordo com a coordenadora, a Universidade também tem buscado incentivar a participação de diferentes segmentos da comunidade acadêmica nas discussões sobre violência de gênero, incluindo estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos.
“A principal mensagem é que nenhuma situação de violência de gênero, de assédio moral ou de assédio sexual deve permanecer impune. Estamos trabalhando para que as pessoas se sintam encorajadas a denunciar e para que todas as denúncias sejam acolhidas com seriedade e responsabilidade institucional”, afirmou.
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Texto e fotos: Victória Conceição, jornalista e bolsista da CCS junto à Proext.