Primeira mulher a ocupar a Reitoria da UFRRJ foi homenageada pelos mais de 40 anos dedicados à instituição

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) realizou, em 16 de junho, no câmpus Seropédica, a outorga do título de Professora Emérita a Ana Maria Dantas Soares. Proposta pelo Instituto de Educação (IE/UFRRJ) e aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário (Consu), a maior honraria acadêmica concedida pela instituição reconhece os mais de 40 anos dedicados ao ensino, à pesquisa, à extensão, à gestão universitária e à defesa da universidade pública.
Docente da Rural desde janeiro de 1978, Ana Dantas foi a primeira e única reitora mulher da UFRRJ. É licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), especialista em Planejamento e Administração de Universidades pela Universidade de Brasília (UnB), concluiu o mestrado em Educação na Universidade Federal Fluminense (UFF) e o doutorado em Ciências em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade na UFRRJ. Foi decana de Extensão, de 1993 a 1997; vice-reitora, de 2005 a 2013; e reitora, de 2013 a 2017. Atualmente, integra o corpo permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação Agrícola (PPGEA/UFRRJ).
A docente foi recebida sob aplausos calorosos em sua chegada ao Salão Azul, no Pavilhão Central (P1). Desde o início, a emoção deu o tom da cerimônia, em uma tarde que ficará marcada na memória da instituição. Em seu discurso, Ana relembrou seus primeiros anos na UFRRJ, entre o final da década de 1970 e o início de 1980, e a vida em família como moradora do câmpus. Em uma fala carregada de afeto, agradeceu a familiares, colegas de trabalho, orientandos e amigos que fizeram parte de sua trajetória acadêmica e pessoal.
Mais do que falar sobre si, Ana Dantas falou sobre a história ruralina, uma vez que muitas de suas experiências estão atreladas a momentos marcantes da instituição – como o Teatro Universidade Rural; o início do projeto Viver Melhor; a consolidação da Associação dos Docentes (Adur-RJ); a ocupação do Ministério da Educação, em 1988; o florescer da extensão universitária; o nascimento da Fazendinha Agroecológica do Km 47; as exibições de cinema no Gustavão (auditório Gustavo Dutra); a importância do CAIC Paulo Dacorso Filho; a colaboração com o Programa Alfabetização Solidária; a criação dos câmpus Nova Iguaçu, Três Rios e Campos dos Goytacazes; a inauguração da Salinha Azul; o surgimento do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Ambiental, Diversidade e Sustentabilidade (GEPEADS); e as formaturas de graduação e solenidades acadêmicas, como a concessão do título de Doutor Honoris Causa a Paulo Freire e a Herbert José de Souza, o Betinho.

Ao mencionar suas raízes nordestinas, a professora Ana enfatizou como o legado cultural que recebeu em Aracaju-SE e a paixão pelo cancioneiro popular, pelo acordeon, pelo folclore, pelo teatro e pela dança estiveram presentes em toda sua caminhada na UFRRJ. “O Nordeste está dentro de mim”, afirmou. Para homenagear essa herança, a docente optou por não utilizar a veste talar, traje tradicional das cerimônias acadêmicas. Em seu lugar, vestiu um kimono bordado por artesãs sergipanas com a expressão “que nem noda de caju”, acompanhado de um colar confeccionado por marisqueiras.

Em seu pronunciamento, Ana fez um agradecimento especial ao Departamento de Teoria e Planejamento do Ensino (DTPE/IE/UFRRJ): “Vocês me deram o melhor presente de aniversário, essa homenagem expressa em dignidade acadêmica. Agradeço a todo esse grupo porreta de docentes que lutam pela inteireza, dignidade e consistência da formação de futuros docentes”, afirmou.
A professora ressaltou, ainda, a importância da família em sua caminhada, assim como dos colegas que se tornaram família na Universidade. “O maior agradecimento vai para a minha família: meus filhos, Oziel, Diego e Vitor; minhas noras amadas, Isabel, Elen e Camila; meus netos muito amados, Mateus, Antônio, Alice e Isadora. Eles são a minha família, mas eu conquistei nessa Universidade outras famílias que passaram a fazer parte da minha”. Para concluir seu discurso, a docente citou um trecho da canção Coração Tranquilo, de Walter Franco: “Tudo é uma questão de manter / A mente quieta, a espinha ereta / E o coração tranquilo”.

Ao cumprimentar a professora emérita, o reitor da UFRRJ, professor Roberto Rodrigues, destacou a trajetória de Ana Dantas, marcada pela superação de desafios, além de ressaltar sua relevância para a formação de gestores universitários. “Para a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro é uma honra ter a senhora como professora emérita”, afirmou.
O discurso de saudação em nome da Administração Central foi feito pela pró-reitora de Graduação, Miliane Moreira Soares de Souza, que enfatizou a contribuição da homenageada para a instituição e sua influência sobre as ruralinas. “Para nós, mulheres, que atuamos como docentes, técnico-administrativas e estudantes nesta Universidade, a professora Ana é a demonstração concreta de que uma mulher pode chegar aonde quiser, sem abrir mão de sua essência, de seus afetos e de seus valores”, discursou.

A leitura do currículo e da trajetória acadêmica de Ana Dantas foi feita pela professora Lilian Cordeiro (DTPE/IE/UFRRJ), na abertura da solenidade. A técnico-administrativa Priscila Martins e o professor do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEduc/UFRRJ), Mauro Guimarães, também discursaram em homenagem à professora.



Um dos momentos mais emocionantes da solenidade foi a apresentação da música “Um xote para Ana”, escrita por Diego Dantas e interpretada ao vivo por Patrick Bernardes, Heitor Farias e Irineu Fernandes.


Além do reitor Roberto Rodrigues, compuseram a mesa da cerimônia o vice-reitor César Augusto Da Ros; a pró-reitora de Graduação, Miliane Moreira Soares de Souza; o diretor do Instituto de Educação, Denis Giovani Monteiro Naiff; e a professora do Departamento de Teoria e Planejamento do Ensino, Lilian Cordeiro. Também estiveram presentes na solenidade o diretor-geral do Cefet/RJ, Mauricio Saldanha Motta, e a deputada estadual Marina do MST (PT-RJ).








Confira aqui o álbum público com mais fotos do evento.
Texto: Michelle Carneiro – Coordenadoria de Comunicação Social (CCS/UFRRJ).
Fotos: Miriam Braz e Fernanda Barbosa – CCS/UFRRJ.