Evento reuniu a comunidade acadêmica em um percurso misto de 5 km, destacando as trajetórias de resiliência, saúde mental e pertencimento de estudantes e egressos.

No domingo (31/05), último dia de Semana Rural, o câmpus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em Seropédica, foi palco de muita energia, suor e determinação com a corrida Rural Run. O evento esportivo, que reuniu a comunidade acadêmica e moradores da região, desafiou os limites físicos e mentais dos participantes em um percurso dinâmico de 5 km.
A largada, realizada nas imediações do Prédio Principal (P1), contou com a presença do vice-reitor, César Da Ros, do deputado Federal Reimont, da pró-reitora de Extensão Maria Ivone, do organizador da corrida Thiago Rosa e do coordenador da Semana Rural, professor Nivaldo Sant’Ana, que prestigiaram a iniciativa voltada ao fomento do esporte e à integração comunitária.



A dinâmica da prova exigiu bastante resistência. O trajeto misto transformou o câmpus em um verdadeiro circuito de superação, intercalando asfalto com trechos de terra e areia, além de subidas estratégicas que exigiram preparo dos atletas. Mais do que uma simples competição, a Rural Run se consolidou como um momento de profunda conexão pessoal e celebração do esporte.
Para Rebeca Nobre, egressa do mestrado em Educação (PPGEDUC) da UFRRJ e uma das representantes do pódio feminino, a corrida vai muito além do condicionamento físico. Praticante assídua desde o ano passado, ela encara o esporte de forma solitária e reflexiva. “A corrida para mim é a minha terapia, minha válvula de escape. Eu quero envelhecer correndo. Gosto de me aventurar e saber o que o nosso corpo permite; quando você acha que não vai dar conta, descobre que consegue ir mais um pouco”, relata.

Correr na UFRRJ teve um peso emocional diferenciado para a atleta, que já vinha conquistando bons resultados na região. “Já cheguei a ganhar pódio em outros municípios, mas pensei: dentro da minha casa, num local que eu amo e sou apaixonada – pois sou egressa da universidade –, vou dar o melhor de mim. Não é um percurso fácil, tem subida e mudança de asfalto para areia. Mas só de você contemplar aquela vista do lago, todo o esforço é recompensado”, destaca Rebeca.


No pódio masculino, o lugar mais alto foi conquistado por Vitor Hugo, de 27 anos, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRRJ. Ex-jogador de futebol, ele migrou de forma exclusiva para a corrida há cerca de um ano e meio, adotando uma rotina rigorosa de treinos planilhados e uma dieta restrita. O atleta estudou meticulosamente o percurso da Rural Run e adaptou sua estratégia ao notar o alto nível de exigência do trajeto.

“Quando vi que o percurso tinha muita subida, mudei a estratégia. Eu precisava economizar energia nos primeiros 500 metros, que eram de descida. Fiquei atrás do primeiro colocado, seguindo o ritmo dele e guardando energia para o último momento da prova. Ali na subida do museu, foi onde soltei o freio de mão, passei para a liderança e dei um tiro no último quilômetro e meio”, explica o campeão.
Para Vitor Hugo, o esporte e a sua formação acadêmica caminham lado a lado. “A corrida fortalece muito mais do que o meu corpo, ela fortalece muito a minha mente. Então, as minhas pesquisas em psicologia e a corrida andam juntas”, afirma o doutorando, que agora planeja buscar a elite do esporte no Rio de Janeiro e atrair patrocínios.
Contudo, o momento mais marcante do evento para o vencedor não foi cruzar a linha de chegada, mas o que aconteceu logo depois. Vitor credita sua vitória à rede de apoio de amigos e familiares que o sustentam na jornada do doutorado. “Na hora da prova, eu tinha em mente que não corria só por mim, e isso me motivou muito”, revela.


Na linha de chegada, o verdadeiro espírito da Rural Run se materializou em um abraço emocionado com o segundo colocado, Júlio César, com quem Vitor disputou a liderança metro a metro. “A gente percebe que a corrida não é uma competição contra o outro, mas sim, de você com você mesmo. Na verdade, você quer o melhor para si e quer o melhor para o outro. Quando chegamos, nos abraçamos e conversamos sobre isso enquanto chorávamos. Foi muito emocionante”, relembra.








Texto: João Vitor Freitas, jornalista e colaborador do DEL/PROEXT
Imagens: SCImagens