Na última segunda-feira (25/08), o reitor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), professor Roberto Rodrigues, recebeu a coordenação do Programa Replantando Vida, da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) e integrantes do Núcleo de Extensão Educação para a Liberdade da UFRRJ em seu gabinete, que vem realizando uma série de atividades extensionistas pautadas pela reflexão sobre o encarceramento e a educação, passando por iniciativas de extensão, ensino e pesquisa.
O Núcleo de Extensão é integrado pelo pró-reitor adjunto de Extensão, professor Marcos Pasche (DLC/ ICHS), e pelos docentes Adriana Alves (DTPE/ IE), Sabrina Galeno (DTPE/ IE) e Oberdan Souza (DEMAT/ ICE), além de uma estudante de pós-graduação e mais de 15 estudantes de graduação.
O grupo realiza pesquisa e publicação de artigos, promove apresentações em eventos de alcance local e nacional que discutem encarceramento e educação, participa de Grupos de Trabalho e Comissões Consultivas em que se discutem temas pertinentes no âmbito de políticas públicas do estado do Rio de Janeiro, e oferta as disciplinas extensionistas optativas Educação para a Liberdade I, II e III, registradas como disciplinas optativas no Projeto Político Pedagógico do curso de Pedagogia da UFRRJ e de oferta aberta às comunidades acadêmica e externa. Outros cursos do câmpus Seropédica da UFRRJ, como Letras e Matemática, estão em processo de tornar a disciplina optativa para seus estudantes.
O início
O trabalho do Núcleo se iniciou em agosto de 2021, quando o professor Marcos Pasche, que já realizava atividades de Remição de Pena pela Leitura (RPL) em presídios do estado do Rio de Janeiro desde 2018, uniu-se a professoras do Departamento de Teoria e Planejamento de Ensino para desenvolver um projeto de extensão que contemplasse pessoas com diferentes níveis de proficiência em leitura e escrita, incluindo pessoas não alfabetizadas, nas ações de educação promovidas pela Universidade em contextos de privação e de restrição de liberdade.
Desde o final do ano de 2024, integrou-se ao grupo um professor do Departamento de Matemática, o que permitiu ao grupo ampliar o escopo do projeto, incluindo também a educação matemática.
A relevância da temática
A coordenadora do núcleo de extensão, professora Sabrina Galeno, explica que “embora seja reconhecida como serviço relevante, foi apontada uma lacuna significativa na RPL: por só receber participantes com habilidades de leitura e escrita já consolidadas, a ação reforçava a exclusão de quem não domina os códigos convencionais da comunicação escrita. Como havia um canal aberto com o Poder Legislativo, em 2021, a coordenação institucional da RPL procurou a coordenação do curso de Pedagogia do câmpus Seropédica, a fim de verificar a possível elaboração de um outro projeto de lei (ou o aperfeiçoamento do Projeto de Lei já em tramitação sobre a RPL) que instituísse a Remição de Pena pela Alfabetização (RPA), dada a inexistência de um expediente dessa natureza, ao menos no Rio de Janeiro”, explica a docente.
E complementa: “O diálogo entre o projeto RPL e a presente proposta de alfabetização de sujeitos em situação de restrição de liberdade inspirou a criação do Núcleo de Extensão Educação Para a Liberdade, do qual atualmente os Projetos Remição de Pena pela Alfabetização, Remição de Pena pela Leitura e Remição de Pena pelo Esporte são parte integrante”.
A coordenadora acrescenta que, dentro do Projeto Remição de Pena pela Alfabetização (RPA), estão previstas a realização de atividades de leitura e escrita com pessoas de diversos níveis de escolarização formal que trabalham no programa socioambiental Replantando Vida, que ocorre na Estação de Tratamento de Águas do Guandu, da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE), situada no km 32 da BR 465, nas proximidades dos dois maiores câmpus da UFRRJ – Seropédica e Nova Iguaçu.
A visita ao Gabinete da Reitoria
A visita ao Gabinete da Reitoria do dia 25/08/2025, fez parte da Aula Inaugural da Disciplina Extensionista Educação para a Liberdade III: Abordagens e Práticas sobre a diferença, articulada entre o Núcleo de Extensão e um dos coordenadores do Programa Replantando Vida, Almir Moura Silva.
Dentre os presentes na atividade, havia estudantes da disciplina, integrantes do Núcleo de Extensão, uma professora convidada e os quatro docentes titulares da disciplina. Os participantes externos à UFRRJ eram trabalhadores e trabalhadoras que realizam atividades de: costura, mecânica, engenharia civil, tratamento de sementes e viveiros de mudas da mata atlântica, alguns cumprindo pena e realizando Remição de Pena pelo Trabalho (menos 1 dia de pena a cada 3 dias trabalhados).
Duas salas de aula já foram providenciadas pelos parceiros, dentro da ETA Guandu, e irão receber a turma de educandos da UFRRJ e do Guandu para as atividades semanais da disciplina.
A coordenadora esclarece que esses são os parceiros deste semestre para a realização da disciplina extensionista, mas não se excluem possibilidades de realização em outros espaços de privação e de restrição de liberdade, onde parcerias porventura se firmarem.