Com expansão para novos municípios, projeto extensionista une ginástica funcional e educação em direitos humanos para garantir envelhecimento com qualidade de vida.

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) no dia 18 de junho deu mais um passo para a formação dos bolsistas do projeto extensionista Bem-Viver. A iniciativa tem como objetivo principal desenvolver um programa voltado à promoção da saúde, da cidadania e da defesa dos direitos humanos de pessoas com 45 anos ou mais, com possibilidade de expansão para outras faixas etárias. O curso de formação foi ofertado na Coordenação de Ensino a Distância (CEaD).
O projeto atua em consonância com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU — especialmente os ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ODS 4 (Educação de Qualidade) e ODS 10 (Redução das Desigualdades). As ações, que unem atividade física e educação em direitos humanos, e já estão sendo implementadas em 20 núcleos no município de Japeri. Devido à rapida adesão do público, o projeto está em processo de expansão para mais 17 núcleos distribuídos pelos municípios de Petrópolis, Campos dos Goytacazes, Nova Iguaçu e Rio de Janeiro.
A atração da comunidade para os espaços do projeto também foi pensada de forma estratégica para ter maior adesão do público-alvo. Para o coordenador geral do projeto, Thiago Rosa, as práticas corporais exercem um papel de acolhimento que vai além do condicionamento físico. “As atividades de ginástica funcional são oferecidas como uma estratégia de adesão e aderência dos beneficiários aos núcleos. É a partir da criação desse vínculo que conseguimos desenvolver as ações voltadas aos três eixos dos direitos humanos”, detalha o coordenador.
Apoio da CEaD e Formação Estratégica
A preparação dos bolsistas conta com o suporte da Coordenação de Educação a Distância, de acordo com a professora Gabriela Rizo, responsável geral pelo setor, “a CEaD atua na construção do material didático online para capacitar, tanto agentes comunitários, quanto os alunos da universidade. Usamos a plataforma Moodle para estruturar a formação dos bolsistas, essa formação tem três eixos centrais, sendo eles a capacidade Funcional e Longevidade, Saúde e Bem Estar, Direitos Sociais e Cidadania”.
A proposta tem uma dinâmica semipresencial. Segundo a professora Rizo,“a educação a distância atua como base de conhecimento, mas a sua consolidação ocorre de forma presencial no território, transformando os agentes e os alunos em multiplicadores dessas noções junto à população”.
Conteúdo Multidisciplinar: Saúde Mental, Informações Básicas sobre Alimentos e Direitos
Para que o projeto atenda de forma plena às necessidades do seu público, o conteúdo da plataforma foi elaborado por uma equipe focada também em Saúde Pública.As psicólogas Wérica Assis e a Nathália Ayana fizeram parte dessa equipe, nos eixos voltados para amparo e o autocuidado do indivíduo no processo de envelhecimento, e selecionaram, como curadoras, um material voltado para aa capacitação dos bolsistas sobre como instruir os idosos a respeito de seus direitos constitucionais e o acesso a políticas públicas essenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), marcação de exames via Sisreg e utilização de Unidades Básicas de Saúde (UBS). O objetivo é desmistificar o sistema único de saúde e garantir que o idoso não seja esquecido socialmente, vivendo com mais qualidade e autonomia.


De acordo com a psicóloga Wérica Assis, o Projeto Bem-Viver é “direcionado para a população idosa com a proposta de trazer esse autocuidado, essa reflexão sobre o envelhecimento saudável de uma maneira acessível”. A profissional destaca que o objetivo principal é resgatar a cidadania desse público: “Esse idoso não está esquecido socialmente. Ele é uma pessoa, tem direitos e consegue viver com qualidade de vida na sociedade. É isso que a gente busca trazer com esse projeto”, afirma.
A Extensão como Pilar do Ensino Superior
A imersão nas comunidades busca colaborar na formação acadêmica e cidadã dos bolsistas, além de realizar a troca de conhecimento entre a comunidade e os alunos.
No Bem-Viver, os estudantes aprendem a propor e aplicar atividades físicas considerando a realidade e as limitações específicas de cada localidade, como as comunidades periféricas. Essa inserção proporciona uma vivência insubstituível: enquanto a universidade oferece a base teórica, é por meio de projetos orientados de extensão que os alunos desenvolvem sensibilidade social e experimentam a prática real da profissão.

Conectando o projeto ao papel social da instituição, a professora do curso de Educação Física, Eliza Prodel, ressalta a importância de ultrapassar os muros acadêmicos. “É necessário sair da universidade e levar o conhecimento para a população de forma geral”, pontua.A professora, destaca também que as ações extensionistas são essenciais para o amadurecimento profissional dos estudantes. “Dentro da universidade a gente aprende a teoria, e a prática aprendemos nas bases sociais. Os projetos de extensão são uma forma de levar os alunos de graduação à prática orientada”, conclui.
Texto: João Freitas, jornalista.
Fotos: Lorena Lourença, graduanda em jornalismo e João Freitas, jornalista.