Em cerimônia na UFRRJ, o economista destacou o papel da educação frente a um cenário mundial “onde os tratados são rasgados sumariamente”

Aos 70 anos e com uma trajetória marcada por negociações da dívida externa brasileira nos anos 1980 e cargos de liderança no FMI e no Novo Banco de Desenvolvimento ligado ao bloco político-econômico BRICS, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. recebeu seu primeiro título de Doutor Honoris Causa. A homenagem foi concedida pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) na última quarta-feira (25/03).



Para além do rito acadêmico, Nogueira aproveitou o espaço para traçar um duro diagnóstico do cenário geopolítico atual. Segundo o economista, o mundo vive sua situação mais grave e difícil desde a Segunda Guerra Mundial, marcada por agressões e quebras de tratados internacionais. “Nenhuma geração desde então enfrentou o que vocês estão enfrentando hoje”, alertou.

A mesa de cerimônia foi formada pelo reitor Roberto Rodrigues, o pró-reitor adjunto de Pesquisa e Pós-Graduação, Leandro Dias, o diretor do Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Rodrigo Santos, a chefe do Departamento de Ciências Econômicas, Rúbia Wegner, a Deputada Federal Jandira Feghali, o professor do Departamento de Ciências Sociais Marcelo Fernandes, e o homenageado Paulo Nogueira Batista Junior. O evento teve início com os agradecimentos e a saudação aos presentes, incluindo os alunos, responsáveis pelos departamentos e institutos, o presidente do Conselho de Economia do Rio de Janeiro, José Antônio Luther Bach, também esteve presente.


Na cerimônia, o professor Marcelo Pereira Fernandes tomou a palavra para ler a biografia do homenageado, o economista Paulo Batista. O professor explicou que a homenagem foi uma iniciativa levada à frente pelo Departamento de Ciências Econômicas e aprovada pelo Conselho Universitário (Consu). A trajetória de Paulo Nogueira foi exaltada, com ênfase em sua formação acadêmica e em sua atuação como assessor do ministro da Fazenda, Dilson Funaro, e trabalhou nas negociações da dívida externa brasileira nos anos 1980. Também foram lembrados seus importantes cargos internacionais, como diretor executivo no FMI e vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS.


Após a leitura da deliberação, o reitor Roberto Rodrigues conferiu formalmente o título de Doutor Honoris Causa a Paulo Nogueira Batista Júnior. No seu discurso de agradecimento, Paulo Nogueira revelou que este era o primeiro título de Doutor Honoris Causa que recebia em seus 70 anos de vida. Com bom humor, ele citou o dramaturgo Nelson Rodrigues para brincar que o brasileiro “não tem estrutura para ser premiado”, contrastando com figuras como Sartre e Churchill, que recusaram ou ignoraram o Prêmio Nobel.
O economista Batista relembrou suas raízes familiares rurais no Rio Grande do Sul, mas explicou que seu caminho foi outro “estudei filosofia de forma autodidata e economia como atividade formal” afirmou o homenageado. Paulo Nogueira ressalta que o valor do esforço e do trabalho foram pilares da sua vida, ele cita a música de Gonzaguinha para afirmar que “sem o seu trabalho, o homem não tem honra” .

Roberto Rodrigues retomou a palavra para celebrar o momento, destacando a história centenária da UFRRJ e seu papel estratégico no desenvolvimento da Baixada Fluminense. O reitor ressaltou a importância de reconhecer a soberania nacional e o papel do Estado como indutor do desenvolvimento, temas centrais na obra do homenageado, e convidou a deputada Jandira Feghali para discursar.


A parlamentar elogiou a iniciativa da UFRRJ, “esse momento é muito singular e muito próprio para homenagear o Paulo Nogueira”, e seguiu afirmando que devido o contexto da “geopolítica mundial é muito importante afirmar a visão de Paulo Nogueira sobre o Brasil, sobre a sua soberania, sobre a sua afirmação e necessidade de desenvolvimento” do país.

Em entrevista cedida à Coordenadoria de Comunicação Social (CCS/UFRRJ), o economista Paulo Nogueira traz um alerta sobre o contexto mundial: “a situação brasileira, sobretudo mundial, eu diria, é a mais grave, a mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial. Nenhuma geração, desde então, enfrentou o que vocês estão enfrentando”, citou Nogueira, referindo-se aos Estados Unidos se comportarem de maneira imperialista, “onde o direito não é respeitado, onde os tratados são rasgados sumariamente, sem qualquer cerimônia, onde os países são agredidos”. Por fim, Batista afirma que “Os jovens têm a capacidade de absorção naturalmente muito maior. E deles é que se espera essa abertura para novas teorias, novas informações e novas escritas” e “Isso só se alcança com estudo, educação que essa universidade promove”, concluiu.
Texto: João Vitor Freitas, jornalista e bolsista de comunicação da Prograd/CCS
Foto: Miriam Braz, fotógrafa da CCS