Apresentações ocorreram no ICHS, no dia 13/11

A pedagogia e seus métodos foram os temas das apresentações orais no auditório Paulo Freire do ICHS. Os cinco primeiros trabalhos da tarde de quinta-feira (13) abordaram diferentes formas de transmitir conhecimento e cultura para crianças, com destaque para abordagens inovadoras e práticas voltadas para o desenvolvimento infantil.
A primeira apresentação foi conduzida por Bárbara Werneck, estudante do sexto período de Pedagogia da UFRRJ. Ela apresentou projeto realizado com crianças no Teatro Municipal de Seropédica (RJ), que trabalha filosofia com crianças por meio de histórias criadas com fantoches. Bárbara explica que escolheu a arte como meio de transmitir conhecimento porque prende mais a atenção das crianças e facilita a conexão emocional com o conteúdo, tornando o aprendizado mais significativo.
A metodologia se baseia na criação de narrativas que exploram temas cotidianos, valores e reflexões. Um ponto central do projeto é a representatividade étnico-racial, geracional e cultural, incorporada aos personagens para que as crianças se identifiquem e reconheçam diferentes realidades. Segundo Bárbara, essa identificação amplia o engajamento e favorece a compreensão das ideias apresentadas.
Ela também destacou que observa atentamente as reações e estímulos das crianças durante as apresentações — curiosidade, surpresa, silêncio concentrado ou perguntas espontâneas — para avaliar o impacto real do projeto e entender como cada criança se relaciona com a experiência.
O aluno de Ciências Agrárias, Arthur Pereira, apresentou o tema “Mudanças Climáticas e Educação Ambiental”. Ele destacou como os conhecimentos quilombolas podem ser usados como ferramenta pedagógica na Baixada Fluminense. Inspirado nas ideias de Antônio Bispo dos Santos, especialmente o princípio “a terra deu e a terra quer”, Arthur explicou sua atividade em Nova Iguaçu, que busca resgatar a memória, valorizar saberes tradicionais e relacioná-los aos impactos das mudanças climáticas. Sua metodologia é baseada em perguntas que provocam reflexão, conectando vida, memória e aprendizado quilombola à compreensão do meio ambiente na atualidade.
O terceiro palestrante foi Victor Ferreira, estudante do sétimo período de Educação Física. Ele apresentou uma proposta de práticas de aventura nas aulas, apontando que há lacunas nesse ensino, já que muitas escolas ainda se limitam ao “trio mágico” da área: futebol, basquete e vôlei. Para Victor, atividades como trilhas, praias e dinâmicas ao ar livre permitem trabalhar além dos muros da escola, transformando o ambiente externo em sala de aula e até ressignificando espaços urbanos, como prédios abandonados. Ele destacou também que essas práticas podem funcionar como um escape, tanto da repetição das atividades tradicionais quanto da falta de recursos em algumas escolas. Esse tipo de vivência ainda contribui para desenvolver a consciência corporal dos estudantes.
A quarta apresentação foi da aluna de Ciências Agrícolas, Marcelle Lima, que trouxe a agroecologia como ferramenta pedagógica. Seu projeto, realizado em uma escola de Campo Grande, utiliza dois galinheiros onde as crianças do Ensino Fundamental I interagem diariamente com as aves.
Chamado “Brincando é Aprendendo: a Agroecologia como Ferramenta Pedagógica”, o trabalho usa as galinhas como meio de aprendizagem, estimulando habilidades socioemocionais, senso de responsabilidade e respeito pelos animais. A metodologia envolve atividades interativas e sensoriais, que ajudam as crianças a perderem o medo, ter coragem e desenvolver estímulo tátil, coordenação motora e conexão nutricional, ao entenderem a origem local dos alimentos. Marcelle destacou que o espaço funciona como um “galinheiro laboratório vivo”, integrado a práticas de adubo e composteira. Entre os resultados observados, houve aumento na participação dos alunos e no envolvimento das famílias com o projeto.
O quinto trabalho apresentado por Nicolas Barbosa Santos, estudante de Licenciatura em Ciências Agrícolas, abordou o uso de plantas medicinais como tema. Ele explicou que o assunto ainda é tratado como tabu, muitas vezes por preconceito, e por isso levou as plantas para que as crianças pudessem conhecer e debater o tema de forma aberta. Utilizando a Fitotipia, ele estimulou atividades artísticas com as folhas, como pinturas e composições sensoriais, deixando a aprendizagem leve e lúdica. Nicolas também trouxe para a aula a discussão sobre justiça climática e a importância dos povos tradicionais na preservação desses conhecimentos. Ele destacou que muitas crianças já reconheciam plantas e suas propriedades graças ao saber transmitido pelos mais velhos, algo que considera extremamente valioso. Com essa abordagem, aproximou a turma do 7º ano de maneira acolhedora e significativa, reforçando que a cultura é a chave para sustentar esse tipo de aprendizado.






Texto: Caio Vaz, estudante de Jornalismo
Revisão e fotos: Guilherme Costa, estudante de Jornalismo
Orientação: Sandra Garcia, professora do Departamento de Letras e Comunicação.
Publicação: Jonathan Monteiro, jornalista e bolsista de Jornalismo.