NOTA TÉCNICA – MPOX

Mpox é uma doença infecciosa causada pelo Mpox vírus (MPXV), do gênero Orthopoxvirus. É considerada uma doença zoonótica, embora nos surtos atuais, a transmissão ocorra principalmente de pessoa para pessoa, em que a maioria dos casos apresenta evolução leve a moderada.

É uma doença autolimitada, com sinais e sintomas que podem durar de duas a quatro semanas. As manifestações iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrios, fraqueza e aumento dos gânglios linfáticos (ínguas) (Figura 1).

Figura 1. Sintomas gerais de Mpox. Fonte: Ministério da Saúde, 2026.

O período de incubação (tempo entre o contato com o vírus e o início dos sintomas) varia de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21 dias. As lesões de pele podem surgir antes, durante ou após os demais sintomas e, em alguns casos, são a única manifestação, podendo ser lesões planas ou elevadas, com líquido claro ou amarelado, evoluindo para crostas que secam e caem. Podem surgir no rosto, mãos, pés, boca, genitais, ânus e outras partes do corpo.

Vale ressaltar que pessoas imunocomprometidas, principalmente pessoas vivendo com HIV-AIDS, gestantes, crianças e idosos têm maior risco de complicações.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), foram confirmados, 295 casos no estado em 2026 (até 05/11/2026) (Figura 2), enquanto em todo o ano de 2025, foram confirmados 119 casos.

Figura 2. Número de casos confirmados de Mpox no estado do Rio de Janeiro por semana epidemiológica. Fonte: Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), 2026.

A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões de pele ou mucosas, secreções e fluidos corporais (pus, sangue das lesões, saliva) de pessoas infectadas, inclusive durante o contato íntimo e sexual, e pelo compartilhamento de objetos contaminados, como roupas, toalhas, roupas de cama e utensílios. Com menor frequência, a transmissão pode ocorrer pelo contato próximo e prolongado com secreções respiratórias. O vírus pode ser transmitido desde o início dos sintomas até que todas as lesões cicatrizem completamente e uma nova camada de pele se forme.

O tratamento consiste em alívio dos sintomas, prevenção e tratamento de complicações e cuidados clínicos de suporte. Não há medicamento específico aprovado para Mpox e a maioria dos casos evolui para melhora entre 2 e 4 semanas. O isolamento da pessoa doente deve ser realizado até o fim do período de transmissão (cicatrização completa das lesões).

Para se prevenir, evite contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Não compartilhe objetos de uso pessoal; lave roupas, toalhas e roupas de cama com água e sabão ou detergente; limpe e desinfete superfícies; mantenha a higiene das mãos (com água e sabão ou álcool em gel); uso de EPI (luvas, máscara, avental e óculos) por profissionais de saúde e cuidadores. 

A vacina está disponível no SUS para grupos de risco definidos pelo Ministério da Saúde e não para a população em geral e o esquema é de duas doses. Ela pode ser indicada para profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvírus, pessoas vivendo com HIV/Aids com imunossupressão ou para pessoas que tiveram contato direto de médio ou alto risco com caso suspeito ou confirmado, após avaliação da vigilância em saúde.

A informação e a adoção de medidas preventivas são fundamentais! Ao apresentar sintomas ou lesões suspeitas, procure um serviço de saúde para avaliação e orientação.

Bibliografia:

Brasil. Ministério da Saúde. Mpox. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [2026]. Saúde de A a Z. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/mpox. Acesso em: 4 nov. 2026.

Rio de Janeiro (Estado). Secretaria de Estado de Saúde. Mpox. Rio de Janeiro: Secretaria de Estado de Saúde, 2026. Disponível em: https://cisshiny.saude.rj.gov.br/mpox/. Acesso em: 4 nov. 2026.

Autores: Thiago de Oliveira Loures, Prof. Dr. Tiago Marques dos Santos e Profas. Dras. Isabele da Costa Angelo e Cheryl Gouveia – Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública, Programa de Residência de Vigilância e Atenção Básica à Saúde, Instituto de Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).