Na data dedicada aos servidores públicos, a Coordenadoria de Comunicação Social e Jornalismo (CCS) da UFRRJ destaca a importância desses profissionais para a Universidade e apresenta a trajetória de Miriam Braz, jornalista que há 30 anos acompanha e registra a história da Rural

Por trás de cada notícia publicada, fotografia registrada ou informação compartilhada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), existe o trabalho de profissionais que contribuem diariamente para aproximar a instituição da comunidade acadêmica e da sociedade. No Dia do Servidor Público, celebrado em 28 de outubro, a Coordenadoria de Comunicação Social e Jornalismo (CCS) reconhece a importância dos servidores técnico-administrativos para seu funcionamento e apresenta, por meio de sua equipe, uma das muitas formas pelas quais esses profissionais participam da construção da história da Rural.
Presentes nos institutos, departamentos, laboratórios, bibliotecas e setores administrativos, os servidores técnico-administrativos desempenham funções fundamentais para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão. São profissionais que, além de garantir a continuidade dos serviços prestados à comunidade universitária, acumulam conhecimentos e experiências que atravessam diferentes gestões e contribuem para a preservação da memória institucional.
Na comunicação, essa atuação ganha uma dimensão particular. Cabe à equipe da CCS acompanhar acontecimentos, produzir conteúdos jornalísticos, registrar atividades acadêmicas e divulgar informações de interesse público. O trabalho permite que pesquisas, projetos, iniciativas e conquistas da Universidade alcancem não apenas quem circula diariamente pelos câmpus, mas também a população que está fora deles.
Nesse processo, cada reportagem, fotografia ou publicação é resultado de diferentes etapas e da colaboração entre profissionais. São atividades que exigem conhecimento técnico, responsabilidade com a informação e compromisso com a comunicação pública.
A comunicação como parte do serviço público
A Coordenadoria de Comunicação Social e Jornalismo da UFRRJ é composta atualmente por oito profissionais com diferentes formações acadêmicas e experiências.
A equipe é coordenada por Fernanda da Cunha Barbosa, jornalista, mestre em Comunicação Social e bacharel em Direito, com especializações em Docência do Ensino Superior e em Direito Digital do Trabalho, Compliance Trabalhista e LGPD. A coordenação substituta é exercida por Michelle da Costa Pereira Carneiro, jornalista, especialista em Meio Ambiente, pós-graduada em Docência do Ensino Superior e mestre em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde.
Também integram a equipe os jornalistas João Henrique de Castro de Oliveira, bacharel e licenciado em História, mestre e doutor na mesma área, e Miriam Braz, formada em Comunicação Social – Jornalismo e servidora com mais tempo de atuação na Universidade entre os integrantes da coordenadoria.
Na área de design, trabalham Alexandre de Souza Souto, bacharel em Desenho Industrial e pós-graduado em Webdesign; Juliana Serra Affonso, também formada em Desenho Industrial; e Samuel Tavares Coelho, técnico em Artes Gráficas. A equipe conta ainda com Felipe Nunes Teixeira de Araújo, assistente em Administração, formado em Publicidade e em Logística e pós-graduado em Gestão Pública.

Essa diversidade de conhecimentos está presente na rotina da Coordenadoria. A cobertura de um evento, por exemplo, pode envolver apuração jornalística, entrevistas, registros fotográficos, edição, elaboração de materiais gráficos e publicação nos canais institucionais. Embora cada profissional possua suas atribuições, o resultado depende da articulação entre diferentes atividades.
O trabalho da CCS também está relacionado à transparência e ao acesso à informação. Ao divulgar pesquisas científicas, projetos de extensão, decisões administrativas e iniciativas da comunidade universitária, a comunicação contribui para tornar públicas as atividades desenvolvidas pela instituição e ampliar o conhecimento da sociedade sobre o papel da universidade pública.
Além de informar sobre o presente, os registros produzidos pela equipe permanecem como fontes para compreender diferentes momentos da UFRRJ. Fotografias, notícias e documentos ajudam a preservar acontecimentos, identificar personagens e acompanhar transformações que fazem parte da trajetória da instituição.
Entre os profissionais que participam desse trabalho está Miriam Braz, jornalista que chegou à Universidade há três décadas e acompanhou de perto algumas das mudanças nas formas de produzir e divulgar informações na Rural.
Três décadas acompanhando a história da Universidade
Miriam Braz chegou à UFRRJ no início de 1996, transferida da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde havia ingressado por concurso público em 1991. Na época, durante o último ano da gestão do reitor Manlio Silvestre Fernandes, ela era a única jornalista da Universidade.
“Cheguei à Rural no início de 1996. Vim transferida da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAr), instituição onde prestei concurso e trabalhava desde 1991. […] Eu era a única jornalista da Universidade”, relembra.
A comunicação institucional funcionava de maneira bastante diferente da atual. Antes da popularização da internet e das redes sociais, os materiais impressos tinham um papel central na circulação de informações entre os integrantes da comunidade universitária.
Uma das principais publicações daquele período era o Rural Semanal, informativo produzido pela equipe que atuava na comunicação antes da chegada de Miriam. Impresso em uma folha A4, frente e verso, o material reunia um editorial com informações da Reitoria e uma seção chamada Colcha de Retalhos, composta por pequenas notícias sobre diferentes assuntos da instituição.
Miriam recorda que os exemplares eram distribuídos nas manhãs de segunda-feira, inicialmente no Pórtico da Universidade, para motoristas e pedestres que chegavam ao câmpus. Depois, eram encaminhados aos institutos, onde a publicação era aguardada pelos leitores.
“A dinâmica dele era muito interessante. Era distribuído logo cedo às segundas-feiras no Pórtico. Para cada pessoa de carro ou pedestre. Depois aos Institutos e todos queriam ler porque era a única publicação. Não havia internet e, se duvidar, nem celular”, conta a jornalista.

Ao longo dos anos, o Rural Semanal passou por diferentes transformações, acompanhando as mudanças na comunicação da Universidade. Criado em setembro de 1994 como um informativo impresso em frente e verso, ganhou novas páginas e projetos gráficos, além de uma versão on-line em 2005. Em março de 2019, passou a circular exclusivamente em formato digital (PDF).
Após a última edição nesse formato, em dezembro de 2019, a publicação foi retomada em novembro de 2020 como a Newsletter Rural Semanal, reunindo notícias, eventos, editais e outras informações de interesse da comunidade universitária. Essa trajetória evidencia como a comunicação institucional se adaptou às novas tecnologias, mantendo o compromisso de informar e aproximar a Universidade de seu público.
Ao longo de sua trajetória, Miriam passou por diferentes setores da instituição. Durante 12 anos, trabalhou na Imprensa Universitária, onde produziu o Boletim Informativo de Atos Oficiais. Há aproximadamente dez anos, retornou à CCS, passando a integrar uma equipe formada por outros profissionais de comunicação.
Para a jornalista, trabalhar ao lado de colegas da mesma área trouxe novas possibilidades para o desenvolvimento das atividades. “Tive mais facilidade em trabalhar com outros profissionais da área. A conversa e o trabalho são mais uniformes”, relata Miriam, ao recordar seu retorno à coordenadoria.
Em sua avaliação, a presença de profissionais especializados contribuiu para o desenvolvimento da comunicação institucional. Ela ressalta, entretanto, que a disponibilidade de recursos e a aquisição de equipamentos ainda representam desafios para o setor.
Sua trajetória também evidencia a importância da permanência dos servidores públicos na Universidade. Ao atravessarem diferentes períodos administrativos, esses profissionais acumulam experiências que contribuem para a continuidade das atividades e para a transmissão de conhecimentos entre equipes.
No caso de Miriam, essa experiência acompanha a passagem dos informativos impressos às plataformas digitais e encontra, atualmente, no fotojornalismo, uma das principais formas de contribuir para a comunicação e a memória da Rural.
Um olhar sobre os acontecimentos da Rural
Atualmente, Miriam dedica boa parte de seu trabalho ao fotojornalismo. Para ela, a fotografia vai além do registro de uma atividade institucional: é também uma maneira de captar emoções, valorizar pessoas e preservar momentos importantes para a história da Universidade.

“Tenho me dedicado mais ao fotojornalismo. Gosto muito de fotografia e, sempre que posso, junto o útil ao agradável. Os melhores trabalhos são recentes”, relata.
Entre as coberturas que mais a marcaram estão as cerimônias de concessão do título de Doutor Honoris Causa à deputada federal Benedita da Silva e aos integrantes da banda Os Paralamas do Sucesso e ao músico João Fera.
“Fiquei muito emocionada com o Honoris causa para Benedita da Silva. Também gostei muito do Honoris Causas do Paralamas do Sucesso e João Fera”, relembra a jornalista.
A homenagem aos músicos, realizada em 9 de junho de 2026, ganhou repercussão na imprensa nacional. Uma das fotografias produzidas por Miriam durante a cerimônia foi publicada em reportagem da Globo Rural, com o crédito à jornalista e à CCS/UFRRJ.

A publicação em um veículo de circulação nacional é um exemplo de como os registros produzidos pela equipe de comunicação da Universidade podem alcançar públicos que vão além da comunidade acadêmica, ampliando a visibilidade das atividades institucionais.
“O interessante disso para mim é a emoção, o reconhecimento, é saber que você pode mostrar o seu olhar para o mundo”, conta Miriam ao comentar sua relação com a fotografia.
Além das coberturas de eventos, a jornalista tem desenvolvido iniciativas que buscam aproximar as publicações institucionais das pessoas que fazem parte da Rural. Desde 2025, passou a adotar uma nova abordagem para as efemérides relacionadas aos cursos de graduação, substituindo imagens genéricas por fotografias dos próprios estudantes da Universidade.
“Desde o ano passado tenho me dedicado a um trabalho que já existia na CCS, mas dei uma modificada. É a publicação das datas comemorativas. As datas que são ligadas aos cursos de graduação eu passei a trazer uma foto com, no máximo, quatro estudantes. A ideia é mostrar quem são os nossos estudantes”, explica.
A proposta permite que os alunos sejam protagonistas dos conteúdos produzidos sobre suas áreas de formação. Segundo Miriam, as publicações têm despertado reações positivas, inclusive de familiares, que demonstram orgulho ao reconhecer os estudantes nos canais institucionais. “Está sendo muito interessante. Rende emoção e orgulho dos pais e até dos próprios alunos”, acrescenta.
Uma das experiências lembradas pela jornalista foi uma publicação sobre as sete engenharias da UFRRJ, realizada em 2025. Ao reunir os diferentes cursos em uma mesma produção, Miriam encontrou uma oportunidade de valorizar áreas de formação que fazem parte da história da instituição.
“Me deu muito prazer quando, no ano passado, fizemos uma publicação no Instagram mostrando as 7 engenharias da Rural. Elas sempre estiveram aqui, mas nunca paramos para perceber. Parece que eu estava descobrindo algo muito legal”, recorda.
Para Miriam, a repercussão entre os estudantes reforçou a importância de apresentar a Universidade a partir de quem faz parte dela. “Mas o legal é encontrar um motivo de orgulho na Instituição”, afirma.







Estudantes da UFRRJ em publicação da CCS sobre os cursos de Engenharia da Universidade. Fotos: Miriam Braz (CCS/UFRRJ). Confira a publicação no Instagram: https://www.instagram.com/p/DSIbaktkq7Q/?img_index=5&vrfl=anAxaTMxa2Jvdnlv
Outro trabalho destacado por Miriam foi a produção realizada para o Dia da Consciência Negra. Na ocasião, ela fotografou cinco integrantes negros da comunidade acadêmica, entre docentes, técnico-administrativos e estudantes, que compartilharam suas experiências na Universidade.
“Outro trabalho muito interessante foi o Dia da Consciência Negra. Contatei seis negros da comunidade universitária entre eles professores, técnico-administrativos e estudantes. Eu os fotografei e eles contaram um pouco da vida na Rural”, relata.
A publicação foi construída com a participação de toda a equipe da CCS e recebeu elogios encaminhados formalmente ao setor. Miriam destaca especialmente a parceria com o jornalista João Henrique de Castro de Oliveira, reconhecendo a contribuição do colega para o desenvolvimento de suas atividades.
“A publicação foi feita em conjunto com toda a equipe da CCS. João Henrique é um parceiro constante. Acho que nem tem noção do quanto me ajuda e faz meu trabalho render”, destaca a jornalista.
O resultado pode ser conferido na reportagem “UFRRJ celebra o Dia Nacional da Consciência Negra”, publicada no Portal da Universidade, em 20 de novembro de 2025.
Essas experiências mostram que o trabalho da comunicação institucional não se resume à divulgação de acontecimentos. Ao registrar trajetórias, dar visibilidade à comunidade acadêmica e preservar imagens de diferentes períodos, os profissionais também contribuem para construir a memória coletiva da Universidade.
Para Miriam, o fotojornalismo tornou-se uma das principais maneiras de contribuir com esse processo. Ao refletir sobre a atividade com a qual mais se identifica atualmente, resume: “Hoje prefiro o fotojornalismo. Acho que tenho mais a contribuir com o meu olhar”.
O trabalho de quem faz a Universidade acontecer
A trajetória de Miriam Braz é uma entre tantas construídas pelos servidores da UFRRJ. Em diferentes setores, esses profissionais contribuem diariamente para o funcionamento da instituição, muitas vezes por meio de atividades que não são percebidas diretamente por quem utiliza os serviços universitários.
O mesmo compromisso com a continuidade e a qualidade dos serviços públicos está presente em diferentes áreas da Universidade. São os conhecimentos, as experiências e o trabalho coletivo dos servidores que ajudam a garantir as condições necessárias para o desenvolvimento das atividades acadêmicas e administrativas.
Neste Dia do Servidor Público, reconhecer essas trajetórias significa também valorizar profissionais que dedicam parte de suas vidas à universidade pública. Na CCS, essa contribuição pode ser vista nas histórias que são contadas, nas imagens que permanecem e no trabalho coletivo de quem ajuda a registrar, diariamente, a história da UFRRJ.
Texto: Karla Xavier, bolsista de Jornalismo da CCS/UFRRJ.
Revisão: Michelle Carneiro, jornalista da CCS/UFRRJ.

