Toda vida importa, todo cuidado conta: Evento ofereceu oficinas, palestras, rodas de conversa e cine debate

Mesa de abertura “Toda Vida Importa, Todo Cuidado Conta”

A Semana Setembro Amarelo: Toda Vida Importa, Todo Cuidado Conta, movimentou a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), na semana de 28/9 a 2/10. O evento começou com a mesa de abertura de mesmo nome, que debateu a saúde mental, o adoecimento no ambiente acadêmico e a urgência de políticas contínuas de cuidado e acolhimento. Promovido pela Coordenação da Política Institucional Pela Diversidade, Gênero, Raça/Etnia e Inclusão (CPID), o encontro reuniu gestores, docentes e estudantes. 

A professora Juliana Arruda mediou a mesa, que também contou com o reitor da UFRRJ, Roberto Rodrigues; a coordenadora da CPID, Meiry Valentim; o pró-reitor adjunto de Ações Afirmativas e Assuntos Estudantis, Ericson de Mello; o professor de Educação Especial, Nikolas Bigler; a professora de psicologia, Carla Vicente; o estudante de Psicologia e bolsista da CPID, Carlos Germano. A programação dos dias seguintes incluiu diversas atividades, que foram desde aula de yoga e meditação para a saúde mental, até cine mesa aberta sobre o impacto da escala 6 por 1 na vida psicossocial.

Abertura no dia 28 de setembro

Na abertura oficial, Meiry Valentim comemorou o recorde de 24 atividades propostas nesta edição. Ela destacou que a campanha foi construída por várias mãos e envolveu parcerias com o Diretório Central de Estudantes (DCE), sindicatos e coletivos, para aproximar as ações de toda a comunidade universitária. Na mesma ocasião, Eriscon de Mello reforçou a importância da prevenção ao suicídio e alertou que o tema precisa de debates abertos e constantes para romper o silêncio.

O reitor da UFRRJ, Roberto Rodrigues, destacou os esforços da administração para intensificar o atendimento médico e psicológico na instituição. Ele anunciou que, em breve, novos profissionais de saúde estarão chegando à Universidade — com a abertura de concurso para a contratação de um médico e dois psiquiatras para integrar a Divisão de Saúde, setor que atualmente opera com quadro reduzido de servidores.

O discente Carlos Germano, as professoras Juliana Arruda e Carla Vicente e o professor Nikolas Bigler

Em seguida, a professora Juliana Arruda chamou atenção para a escuta ativa como porta de entrada para o acolhimento. Ao contextualizar a realidade da universidade — onde cerca de 70% dos estudantes encontram-se em situação de vulnerabilidade socioeconômica —, ela apontou que o sofrimento psíquico costuma ser a ponta de um iceberg composto por diversas outras carências.

A professora Carla Vicente iniciou sua fala apresentando dados alarmantes. “Temos um grande índice de suícidio entre jovens universitários. As pesquisas mostraram que 4,21% [de jovens que se suicidam] têm entre 10 e 29 anos, são dados da Organização Mundial da Saúde”, alertou. Carla defendeu que a escuta atenta exige, antes de tudo, que o indivíduo encontre a si mesmo e desacelere da pressa constante imposta pela lógica moderna. 

Na sequência, o professor Nikolas Bigler traçou paralelos internacionais entre sistemas de ensino de destaque e seus altos índices de sofrimento e suicídio juvenil. Ele questionou como não adoecer diante de cargas horárias exaustivas e alertou que essa pressão afeta tanto estudantes quanto docentes, reforçando a necessidade de limites institucionais e pessoais para preservar a saúde mental.

Representando a CPID, o bolsista e estudante de Psicologia, Carlos Germano, ressaltou o papel da Coordenação na construção coletiva de espaços seguros e de acolhimento. Germano criticou as engrenagens do capitalismo contemporâneo, que tentam transformar o mal-estar social em culpa exclusiva do indivíduo. Ele defendeu que a resposta ao sofrimento não pode ser a autogestão solitária do “cada um por si”, mas sim a ampliação de redes públicas e comunitárias que acolham as diferentes existências e combatam as violências estruturais.

Atividades do dia 29

O dia 29 de setembro foi marcado por oficinas sobre bem-estar e cuidado, rodas de conversa que abordaram a saúde mental e a prevenção ao suicídio, e outras atividades voltadas à campanha do Setembro Amarelo. A programação também expôs atividades práticas, como um cine mesa aberta sobre a escala de trabalho 6×1 e aula de yoga.

A turma 2025.2 de Ciências Sociais realizou, em parceria com a CPID, o Cine Mesa Aberta: O Impacto da Escala 6×1 na Vida Psicossocial, no Auditório Marielle Franco, no Instituto de Educação (IE). A atividade exibiu o longa-metragem “Você não estava aqui”, um filme que retrata os impactos da precarização do trabalho e da economia na vida da classe trabalhadora moderna. Compuseram a mesa de debate os alunos Caio Nascimento, Ana Beatriz Grigorowski, Areta Conceição e Ana Manuella Souza. Durante a conversa, os discentes apresentaram dados e estudos sobre danos sociais e psicológicos causados pela escala 6×1, além de realizar uma dinâmica com os participantes do evento, para debater os problemas visualizados no filme, fazendo paralelos com a realidade de quem vive a escala de trabalho.

Participantes do Cine Mesa Aberta, de Ciências Sociais

A coordenadora da CPID, Meiry Valentim, também esteve presente no evento. A assistente social e sua equipe apresentaram a Coordenação e contribuíram para o debate ao relatarem experiências pessoais e falarem do acolhimento institucional da UFRRJ.

A Salinha Azul promoveu, já no fim do dia, uma oficina de yoga e meditação, que ensinou a importância de cultivar a consciência na saúde mental através de exercícios físicos, que conectam o corpo e a mente. A estudante de Ciências Biológicas e instrutora de yoga, Rara Kauffmann, foi quem administrou a oficina, que ocorreu no Jardim Botânico.

Quarta-feira

Na quarta-feira (30/09), a campanha do Setembro Amarelo contou com uma série de ações integradas ao longo de todo o dia, distribuídas entre os polos de Seropédica e Nova Iguaçu.  

A programação incluiu palestras, oficinas práticas e rodas de conversa que abordaram temas como escuta ativa, acolhimento coletivo, práticas de autocuidado, os impactos das redes sociais no bem-estar emocional e o suporte a quem exerce funções de cuidado. Os encontros aconteceram em espaços do Colégio Técnico da Universidade Rural (Ctur), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintur-RJ) e no Instituto Multidisciplinar (IM), onde a comunidade pôde dialogar e fortalecer a conscientização sobre saúde mental.  

Encerramento na sexta-feira

Roda de conversa “Cuidar também é escutar“

A Semana Setembro Amarelo se encerrou na última sexta-feira (2/10). A roda de conversa “Cuidar também é escutar” abriu o último dia de evento e abordou a conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio, no Departamento de Educação Física e Desportos (DEFD/UFRRJ). O encontro foi organizado pelas professoras de Educação Física, Valéria Lebeis e Camila Ribeiro, pelo psicólogo Gibson de Castro Santos e pela coordenadora da CPID, Meiry Valentim.

A iniciativa teve como proposta abrir um canal de escuta e orientação, abordando formas de identificar sinais de depressão e comportamento suicida em pessoas próximas, além de apresentar os serviços de suporte disponíveis tanto dentro quanto fora do ambiente universitário, como a CPID.

Os calouros de Educação Física demonstraram forte engajamento durante a dinâmica e ampliaram o debate para além da pauta inicial. A participação coletiva levantou temas como vícios comportamentais, impactos financeiros das apostas eletrônicas e conflitos familiares, com diversos relatos pessoais dos participantes. A alta adesão e a troca de experiências marcaram a atividade, que foi avaliada de forma positiva pelos organizadores e elogiada pelos próprios estudantes ao final da sessão.

​A atividade “A arte e o cuidado com a saúde mental dos estudantes alojados” ocorreu às 15h, na Cooperativa de Alunos da Universidade Rural (CAUR). O encontro contou com uma roda de conversa mediada por Bruno Gabriel da Silva, coordenador de assistência estudantil do DCE, e com uma oficina de pintura orientada para o bem-estar da comunidade estudantil.

A mesa de encerramento da Semana Setembro Amarelo ocorreu às 18h, no Auditório da Pós-Graduação do Instituto Multidisciplinar (IM), em Nova Iguaçu. ​O debate reuniu o discente Carlos Germano, da CPID, e a professora de Psicologia, Raquel Guerreiro. A cerimônia promoveu um espaço de diálogo e reflexão sobre o bem-estar e o cuidado emocional no ambiente acadêmico.

Além das atividades da semana, a campanha se estendeu por todo o mês de setembro na UFRRJ. A programação contou com rodas de conversa realizadas pela psicóloga Elen de Leo entre os dias 10/09 e 23/09, além das palestras “Ensinar sem adoecer: caminhos de saúde e cuidado na formação docente”, no dia 17/09, e de Educação Especial sobre a saúde mental de estudantes com TEA no ensino superior, no dia 25/09, ambas realizadas no Instituto Multidisciplinar (IM).

Palestra do curso de Educação Especial, no IM/UFRRJ

A programação ainda inclui  uma última ação agendada para terça-feira, dia 6/10. A partir das 8h30, a Sala de Cultura da UFRRJ recebe o encontro “Autocuidado coletivo e acolhimento: Ferramentas de bem-estar social”, promovido em parceria com o Coletivo Madame. A iniciativa contará com uma roda de conversa sobre as interfaces entre saúde mental, acolhimento e a comunidade LGBT, além de um piquenique e dinâmicas voltadas para a autoestima e o autocuidado. 

Texto e fotos: Giovana Borges, bolsista de Jornalismo da CPID/UFRRJ.