Cerimônia no câmpus Seropédica teve palestra sobre a origem do curso e reuniu estudantes, docentes e egressos
O curso de graduação em Engenharia Química da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) celebrou seus 60 anos na quarta-feira (23/9), em cerimônia realizada no Salão Azul do P1, no câmpus Seropédica. O encontro reuniu estudantes, docentes e egressos para recordar a trajetória do curso. O estudante de Engenharia Química Caio Torres deu início à programação.

A mesa de abertura contou com o vice-reitor César Augusto Da Ros; a pró-reitora de Graduação, Miliane Moreira Soares de Souza; a pró-reitora de Extensão, Maria Ivone Martins Jacintho Barbosa; o diretor do Instituto de Tecnologia, Pedro Paulo da Silva; a docente e chefe do Departamento de Engenharia Química, Roberta Helena Mendonça; a docente e coordenadora do curso de graduação em Engenharia Química, Fabíola Cunha; e a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química, Marisa Fernandes Mendes. Após a abertura, o docente do Departamento de Engenharia Química André de Almeida apresentou uma palestra sobre a história da Engenharia Química na Rural.
Para a coordenadora do curso, Fabíola Cunha, a comemoração também marca uma trajetória pessoal. Ela ingressou na Engenharia Química da UFRRJ em 1991, concluiu a graduação em 1996 e retornou à Universidade como professora em 2009. Ao lembrar sua formação, destacou a importância da educação pública para ampliar oportunidades que sua família não teria condições de custear no ensino privado.
Fabíola define a universidade como um lugar de encontros que vão além da formação profissional. “A gente se encontra com o conhecimento, com o aprendizado, com tudo aquilo que está vinculado à nossa capacitação profissional”, afirmou. Ela também lembrou as amizades e a convivência com professores e técnicos durante a graduação: “Tudo isso é aprendizado, tudo isso molda a personalidade”.
Da Química Industrial à Engenharia Química
A história da criação do curso foi apresentada na palestra “A Engenharia Química na Rural: 60 anos”, ministrada pelo docente do Departamento de Engenharia Química, André de Almeida. Segundo o levantamento histórico exibido por ele, a proposta foi aprovada pelo Conselho Universitário em 14 de março de 1966, e as primeiras aulas começaram em 11 de abril daquele ano. Os documentos iniciais se referiam à implantação de Química Industrial; em 1969, ocorreu o reconhecimento do curso como Engenharia Química.

A palestra também mostrou que a criação do curso esteve ligada à procura por vagas na Escola Nacional de Química, no Rio de Janeiro. Como não havia condições de ampliar o ingresso naquela instituição, professores identificaram na então Universidade Rural do Brasil uma possibilidade de receber os candidatos excedentes. A proposta encontrou apoio nos departamentos de Física e Química, Matemática e Engenharia da Rural e recebeu recursos dos ministérios da Educação e da Agricultura para começar a funcionar.
Ex-aluno da Rural, Dari Cesarin Sobrinho ingressou no curso em 1985 e hoje é docente do Departamento de Química Orgânica. Para ele, um dos avanços dessas seis décadas foi a verticalização do ensino: a formação passou a contar também com programas de pós-graduação, chegando ao doutorado em Química e em Engenharia Química. “A Engenharia Química é a aplicação tecnológica da Química”, explicou, ao destacar a importância dessa base científica para a atuação profissional.
Dari também relacionou a trajetória da Engenharia Química ao surgimento de outras formações na Universidade. Segundo ele, a especialização em Engenharia de Alimentos, antes vinculada ao curso, deu lugar a uma graduação própria após a reforma curricular de 1987. Ele citou ainda a Engenharia de Materiais como parte da ampliação das áreas de formação ligadas ao departamento.

Uma história que continua sendo construída
A chefe do Departamento de Engenharia Química, Roberta Helena Mendonça, conhece o curso de perspectivas diferentes: formou-se na Rural e voltou à Universidade como professora. Para ela, a celebração reúne quem participou da criação do curso, quem estudou nele e quem retornou para formar novas turmas. “Por mais que tenha sido iniciado há 60 anos, o curso se constrói diariamente”, afirmou.
Roberta aponta mudanças na estrutura do departamento desde seus tempos de estudante, entre elas laboratórios mais equipados e o desenvolvimento de linhas de pesquisa na pós-graduação. Ao mesmo tempo, ressalta que a continuidade desse trabalho exige recursos. “Nós temos uma estrada muito longa. Nós precisamos de investimento. Mas, apesar dos pesares, hoje eu chefio um departamento que considero de sucesso”, disse. Para a professora, o desafio é manter o curso capaz de acompanhar as transformações tecnológicas e ampliar o conhecimento da sociedade sobre o trabalho produzido na universidade pública.

Os caminhos de quem está começando
Wenderson Cutrim, aluno do 4º período de Engenharia Química, participou da organização da comemoração. Ao acompanhar a programação, chamou sua atenção a mudança no perfil dos estudantes ao longo das décadas. “Para mim, isso é muito gratificante, porque a gente consegue conhecer melhor a história do nosso curso”, contou.
A variedade de caminhos profissionais pesou na escolha de Wenderson Cutrim pela graduação. “A Engenharia Química abre um leque de opções maior do que a Química. Para você ter uma ideia, ainda estou em dúvida entre seguir na área de energia nuclear ou na de cosméticos”, disse.

Ao longo da cerimônia, as lembranças dos ex-alunos e o olhar de quem ainda está na graduação mostraram diferentes momentos da Engenharia Química na Rural. A formação se ampliou, ganhou novas áreas de pesquisa e segue presente na trajetória de quem estudou e voltou à Universidade para ensinar.
Para as próximas gerações, essa história oferece tanto uma referência quanto novos caminhos a explorar. Foi esse encontro entre memórias e perspectivas que marcou a celebração dos 60 anos do curso.
Confira mais alguns registros da cerimônia:






























Texto: Karla Xavier, bolsista de Jornalismo da CCS/UFRRJ.
Fotos: Gabriel Cosendey, bolsista de Jornalismo da CCS/UFRRJ, Lucas Campbell, fotógrafo da InFocus Formatura e Karla Xavier, bolsista de Jornalismo da CCS/UFRRJ.


