A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) concedeu, na última quinta-feira (20/08), o Título de Doutor Honoris Causa ao professor Sérgio Fonseca. A cerimônia foi realizada no Auditório do Instituto Multidisciplinar (IM), no câmpus Nova Iguaçu.


O título é um reconhecimento à contribuição de Sérgio Fonseca na formação intelectual e produção de conhecimento nas áreas da educação e da literatura, dentro e fora do espaço acadêmico. A indicação foi feita pelo professor Otair Fernandes, associado ao Departamento Educação e Sociedade (DES) da Universidade.
Participaram da solenidade o reitor Roberto Rodrigues; o docente Otair Fernandes; e o diretor do Instituto Multidisciplinar, Marcio Borges.


Professor de português com mais de 40 anos de dedicação, Sérgio Fonseca se consolidou como uma das maiores referências no fortalecimento da educação e da cultura na Baixada Fluminense. Além da carreira acadêmica, já atuou como escritor, compositor, sambista, cronista, letrista, poeta, trovador e cinéfilo.
Sérgio nasceu em Mesquita, e iniciou sua trajetória na literatura aos 14 anos, assinando textos em jornais estudantis. Apaixonou-se pela língua portuguesa e se formou em Letras pela UFRJ, em 1969.
“Eu ainda estava na faculdade quando comecei a me envolver com a música. Eu escrevi letras de samba, parti para essa vereda da música popular brasileira. Fui desenvolvendo outra faceta, mas sempre ligado à literatura, à língua portuguesa e à poesia”, comentou Sérgio.
Sua produção artística e intelectual também se desenvolveu em diálogo com a realidade da Baixada Fluminense, território onde lecionou e construiu grande parte de sua trajetória. Entre poemas, crônicas, letras de samba e textos literários, Sérgio Fonseca nunca se esqueceu das salas de aula, espaço que ocupou por mais de quatro décadas.

Jornalista da CCS/UFRRJ, Michelle Carneiro foi aluna de Sérgio de 1999 a 2001, durante o Ensino Médio, em Nova Iguaçu. “Eu tinha 14 anos quando comecei a ter aulas com o Sérgio Fonseca. Lembro-me bem de como provocava a turma com suas reflexões e inquietudes, das crônicas publicadas no jornal Correio da Lavoura e de sua paixão pela música popular. Foi uma honra ter sido sua aluna. Com ele, tomei gosto pelas letras e aprendi a ter ainda mais orgulho das minhas raízes iguaçuanas”, disse.
Durante a cerimônia, o professor Otair Fernandes, responsável pela indicação de Sérgio ao título, destacou a importância de reconhecer uma trajetória construída no chão da educação básica.
“O amor pelo ser humano e por tudo que faz com tamanha generosidade é marca indelével de quem se dedicou à arte de escrever e de ensinar, com uma carreira exitosa no exercício do magistério, público e privado, da educação básica ao ensino superior, a partir da Baixada Fluminense, especificamente a partir de Mesquita. Por suas aulas empolgantes, prosas e versos, crônicas e paródias, contos e poesias, caminhou sem cerimônia pelas escolas. Instituições escolares, educacionais e as escolas de samba, porque o samba também ensina”, compartilhou Otair.

Em sua fala, o reitor Roberto Rodrigues ressaltou a relevância de Sérgio Fonseca para a educação, a cultura e a produção de conhecimento na Baixada Fluminense.
“Sérgio construiu sua vida intelectual, profissional e cultural a partir da Baixada Fluminense. Não precisou se afastar de Mesquita, de Nova Iguaçu e da Baixada para produzir conhecimento, formar pessoas, escrever literatura, fazer música ou participar da vida cultural brasileira. Ao contrário, a Baixada está em sua obra, em seus personagens, em sua história, em suas aulas, em seus sambas, em suas crônicas. E isso tem um significado muito importante para a nossa Universidade. A UFRRJ também é profundamente vinculada a esse território. Por isso, quando a Rural concede seu mais alto título honorífico a Sérgio Fonseca, há algo maior acontecendo aqui. A Universidade está reconhecendo um intelectual da Baixada Fluminense”, comentou.
Para o reitor, ao conceder esse título ao Sérgio, a Universidade reconhece que a produção de conhecimento não acontece apenas no ambiente universitário. Ela acontece também na escola, na sala de aula, no jornal, no cineclube, na literatura, na música, no samba, nas conversas e nos encontros.
“Hoje, de alguma maneira, a Universidade abre suas portas para dizer: ‘Este conhecimento também nos constitui. Esta trajetória também pertence à história intelectual do nosso estado. A Baixada Fluminense também produz seus mestres’. O Sérgio é um mestre. Por isso este título não representa apenas o reconhecimento de uma trajetória individual”, completou Roberto.

A UFRRJ reconhece uma trajetória construída na relação entre educação, literatura e cultura brasileira, tendo a Baixada Fluminense como o principal espaço de atuação de Sérgio. Ao longo de sua carreira, o professor fez da palavra uma ferramenta de ensino, aproximando gerações de alunos da literatura e da língua portuguesa.






Texto e fotos: Laura Berg, bolsista de Jornalismo da Coordenadoria de Comunicação Social (CCS/UFRRJ).