Solenidade em Nova Iguaçu reconheceu o papel de Carlos Roberto Ferreira, ex-vice-prefeito e vereador do município, na criação do câmpus da Universidade

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) concedeu, na última quinta-feira (10/09), a Comenda do Mérito Universitário ao ex-vice-prefeito e vereador de Nova Iguaçu Carlos Roberto Ferreira, o Ferreirinha, em reconhecimento ao seu papel na fundação do câmpus Nova Iguaçu, sede do Instituto Multidisciplinar (IM), da Universidade. A solenidade contou com a presença do reitor Roberto Rodrigues, que prestigiou o evento junto aos convidados.
A Comenda do Mérito Universitário é concedida por deliberação do Conselho Universitário (Consu) da UFRRJ e reconhece, ao longo da história da instituição, pessoas (docentes, técnicos-administrativos e membros da comunidade externa) que contribuíram de forma relevante para a Universidade.
A indicação da homenagem partiu do servidor técnico-administrativo Júlio César Fava, que propôs o reconhecimento em 2019. Na época, o profissional representava os servidores técnicos no Conselho Universitário (Consu) da UFRRJ.
O resgate histórico da luta pela Universidade
Durante o evento, Júlio Fava resgatou a trajetória de Ferreirinha e da luta por uma universidade pública em Nova Iguaçu, considerada capital da Baixada Fluminense. “Um dos principais motivos da indicação da honraria foi que o Ferreirinha protagonizou e esteve à frente da luta pela universidade na Baixada Fluminense”, disse.





Segundo Fava, essa luta antecede a criação do câmpus e se arrasta desde a década de 1980, quando Dom Adriano Hypólito, então bispo de Nova Iguaçu, criou a Universidade Popular da Baixada (UPB). “Na época, não existiam cursos superiores, mas já existia esse título”, relembrou.
Já como vereador, em 2003, Ferreirinha iniciou e coordenou, junto a movimentos sociais, a frente de mobilização que resultou na coleta de mais de 100 mil assinaturas em um abaixo-assinado, reunidas em igrejas, sindicatos, associações de moradores, terminais rodoviários e pontos de comércio de Nova Iguaçu.
Na época, o abaixo-assinado foi entregue à Presidência da República e ao Ministério da Educação (MEC), pedindo a implantação de uma universidade pública federal em Nova Iguaçu. “O Ferreirinha esteve à frente dessa coleta de assinaturas para que esse câmpus viesse para cá, e não para Duque de Caxias, que era uma das opções”, afirmou Fava.
Em razão dessa mobilização e diálogo, o MEC autorizou, em 2005, a implantação do Instituto Multidisciplinar, que funcionou provisoriamente na Escola Municipal Monteiro Lobato, até a liberação de recursos federais para a construção da sede do câmpus, ao lado do antigo Aeroclube de Nova Iguaçu.
Já como vice-prefeito do município, em 2018, Ferreirinha atuou junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para a transferência e ampliação das áreas do câmpus, trazendo, assim, mais cursos de graduação.
Para Ferreirinha, a comenda reforça o valor da mobilização popular, que desencadeou na criação do câmpus. “É um sentimento de alegria e emoção. Me faz relembrar cada momento da coleta no calçadão de Nova Iguaçu, na porta das igrejas, nos sindicatos, nas escolas e em vários centros comerciais da Baixada Fluminense”, disse. “Saber que esse câmpus nasceu com a contribuição das mãos do nosso povo fala muito sobre as origens da universidade. Sou muito grato e fico honrado pelo reconhecimento.”
Ao avaliar o legado do câmpus para a juventude da região, Ferreirinha destacou o ensino e a extensão como pilares para os jovens estudantes, em especial para aqueles que moram na Baixada. “A presença do câmpus da Universidade Federal Rural em Nova Iguaçu faz toda a diferença, pois oferece ensino de qualidade, contribuindo para o esperançar da nossa juventude e também para o desenvolvimento da nossa Baixada Fluminense”, disse.
Fava reforçou, ainda, o alcance da Universidade na região e apontou os próximos passos. “Hoje, o câmpus de Nova Iguaçu atende praticamente toda a Baixada Fluminense. Dos mais de 5 mil alunos matriculados, 75% são da região, e mais de mil de Nova Iguaçu”, afirmou. “Sabemos onde estamos e de onde viemos. Agora, uma das nossas lutas é conseguir o curso de Medicina na Universidade, e para isso vamos mobilizar parlamentares e a comunidade acadêmica”, completou.
Texto: Gabriel Cosendey, estagiário de Jornalismo da CCS/UFRRJ.
Fotos: direção do câmpus de Nova Iguaçu


