Estrutura será vinculada à Agência de Inovação e atuará no desenvolvimento de soluções voltadas à economia solidária e ao empreendedorismo comunitário

PROPPG cria Núcleo de Inovação Social para promover tecnologias sustentáveis e inclusão regional.

A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PROPPG/UFRRJ) instituiu, nesta terça-feira (14), o Núcleo de Inovação Social (NIS), vinculado à Agência de Inovação da universidade. A medida foi oficializada por meio da Portaria nº 7402/2025 – PROPPG.

O novo núcleo terá como foco o desenvolvimento de tecnologias sociais e de soluções voltadas ao fortalecimento da economia solidária, da inovação social e do empreendedorismo comunitário. A proposta é integrar atividades de pesquisa e extensão à criação de alternativas sustentáveis para desafios enfrentados por comunidades no entorno da universidade.
A criação do núcleo ocorre em conformidade com a Política Institucional de Inovação da UFRRJ, aprovada em 2024 pelo Conselho Universitário, que estabeleceu diretrizes para o fortalecimento da pesquisa aplicada e da transferência de tecnologia no âmbito acadêmico. 

Segundo o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, professor José Luis Luque, responsável pela assinatura da portaria, “a criação do NIS reafirma o compromisso da UFRRJ com uma ciência voltada ao desenvolvimento humano e territorial. A inovação, quando associada à inclusão e à sustentabilidade, torna-se uma poderosa ferramenta de transformação social. O NIS representa um passo decisivo na consolidação da nossa política institucional de inovação, conectando saberes acadêmicos e saberes populares em favor do bem comum”.

Estrutura e coordenação
A professora Carmen Silvia Andriolli foi designada coordenadora do novo núcleo, tendo o professor Andrey Cordeiro Ferreira como vice-coordenador, ambos do Departamento de Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. Também integram a equipe os professores Igor Simoni Homem de Carvalho e Graciela Bonassa Garcia, do Departamento de Educação do Campo, Movimentos Sociais e Diversidade, e a professora Camila Daniel, do Departamento de Ciências Administrativas e Sociais.

Carmen destacou que a criação do NIS reflete uma mudança de paradigma na forma como a universidade se relaciona com seu entorno. “O núcleo tem como finalidade consolidar, no âmbito da universidade, as práticas e políticas voltadas à inovação social e às tecnologias sociais interculturais, fortalecendo o papel das ciências humanas e sociais na política de ciência, tecnologia e inovação”, afirmou.

Para a coordenadora, “a inovação social é compreendida como a introdução de novidades ou aperfeiçoamentos no ambiente produtivo e social por meio de processos colaborativos e participativos, que envolvem diferentes atores do território. Seu propósito é gerar soluções voltadas ao interesse público, ampliando direitos, fortalecendo comunidades e contribuindo para a redução das desigualdades”.

A professora também ressaltou que a institucionalização do núcleo visa dar maior escala e capilaridade às ações já existentes. “O núcleo tem como objetivo geral institucionalizar a inovação social como eixo estratégico da Agência de Inovação e da própria UFRRJ”, disse. Entre os objetivos específicos, ela cita a “consolidação de metodologias de pesquisa intercultural e de cartografia social, o apoio a processos de incubação de tecnologias sociais e a promoção da formação de estudantes e pesquisadores nas temáticas da inovação social”.

Articulação com políticas públicas
O núcleo também atuará na articulação entre ciência e políticas públicas, com foco em estratégias de desenvolvimento territorial e social orientadas pela perspectiva intercultural. “Suas ações se inserem em temas de interesse público como educação, saúde, meio ambiente e sustentabilidade, com especial atenção aos povos e comunidades tradicionais e populações em situação de vulnerabilidade”, disse Carmen.

Diversas iniciativas da UFRRJ já compõem a base do NIS, entre elas o Atlas Etno-Histórico Digital, o Inventário Digital de Saberes Tradicionais, a Plataforma de Territórios Tradicionais e projetos de cartografia participativa. “Essas experiências têm contribuído para o fortalecimento da inovação social como campo científico e prático, voltado à gestão territorial e à valorização dos saberes locais”, afirmou.

Referência nacional
Com o novo núcleo, a UFRRJ pretende se consolidar como referência nacional no campo da inovação social. “Nossa missão é promover a inovação em processos e produtos tecnológicos orientados por princípios de interculturalidade, sustentabilidade e interesse público, reforçando o papel da universidade como agente de transformação social e produtora de tecnologias comprometidas com o bem comum”, concluiu a coordenadora.

Texto: Jonathan Monteiro, jornalista e bolsista da PROPPG/CCS