Iniciativa universitária fortalece o empreendedorismo feminino e a economia solidária e circular com programação cultural gratuita

Alícia Martins do Nascimento (esquerda), Josane Resende (meio) e José Alexandre de Carvalho (direita)

Integrando as ações do Agosto Lilás, a primeira edição do evento do projeto “Mulheres Vão pra Feira” reuniu quatro empreendedoras locais no sábado, 29 de agosto, na Praça Boulevard Márcio Passos, em Guapimirim-RJ. A programação gratuita buscou impulsionar a economia circular e fortalecer redes locais de protagonismo feminino.

A iniciativa partiu originalmente da Associação Guapiense de Integração Renovadora (AGIR), Organização da Sociedade Civil (OSC) que atua com pautas de gênero, raça, cultura, esporte, desenvolvimento social e empreendedorismo, e possui parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). A
atividade é coordenada pela técnico-administrativa Josane Resende e conta com a participação dos bolsistas Alícia Martins do Nascimento, aluna de Psicologia, e Rodrigo Maciel, de Jornalismo.

Com espaço planejado para incentivar compras locais que geram renda direta para as artesãs, os visitantes encontraram estandes de artesanato exclusivo, oficinas práticas de capacitação e troca de experiências, além de praça de alimentação com venda de mel e derivados, licores, geleias, sucos naturais, antepastos, doces,
salgados, opções fit e apresentações musicais.

A artesã Rosemary Torres Siciliano de Araújo conta que participar da feira serve para uma divulgação de sua marca: “Idealizamos o trabalho na feira para divulgar a marca. Aos 60 anos, a minha intenção é descansar um pouco mais, porque a feira é uma luta danada. O objetivo é divulgar e trabalhar as vendas mais pela internet. Na feira, a pessoa conhece o produto pela degustação e, depois disso, a gente consegue trabalhar muito melhor no online“, informa.

Para a artesã Adriana Maria dos Santos Zambrade, de 54 anos, o espaço funciona como terapia: “Produzo placas e plantas decorativas feitas em madeira. Faço tudo artesanalmente, desde o corte até a pintura. Já participamos desse movimento de feiras há cinco anos e, com certeza, ela é muito importante para a minha vida. Além de poder expor e vender o meu trabalho, a feira funciona como uma verdadeira terapia”, afirmou.

Para a coordenadora do projeto, Josane Resende, o encontro serviu de incentivo à emancipação financeira das participantes: “A feira serviu como plataforma de visibilidade e, acima de tudo, como incentivo à emancipação financeira das feirantes. Além disso, a cooperação entre a UFRRJ e a AGIR levou para o espaço público o conceito de extensão universitária na prática. Enquanto a universidade contribui com suporte técnico e metodologias de inovação, a AGIR atua diretamente na articulação comunitária e no suporte às feirantes”, destacou.

A coordenadora também ressalta a aplicação real dos conceitos de economia popular: “Quem compareceu ao evento pôde conferir uma variedade de produtos que exemplificam a aplicação real da economia circular e solidária no município. Desde o artesanato feito com materiais reaproveitados até a produção agroecológica local, o foco esteve no consumo consciente, na redução do desperdício de recursos e na valorização do que é produzido localmente”, finaliza.

A próxima edição da feira acontecerá no mesmo local, no dia 19 de setembro, dando continuidade ao espaço de vitrine para produtos de artesanato, culinária, moda, beleza e outros serviços, além de fortalecer a autoestima e o protagonismo das mulheres envolvidas.

Texto: Rodrigo Maciel, estudante de Jornalismo da UFRRJ.

Fotos: Alícia Martins do Nascimento, estudante de Psicologia da UFRRJ.