Com uma imensa dor coletiva, o Departamento de Teoria e Planejamento de Ensino (DTPE) e o Instituto de Educação (IE) informam e lamentam para a comunidade da UFRRJ o falecimento do nosso colega, professor Doutor Fernando Gouvêa. Uma perda irreparável que se registra dolorosamente neste momento. O pesar quase nos faz calar, perder a voz, as palavras…
Escolhemos então começar, com as palavras próprias de Fernando Gouvêa, em seu livro “Memórias de um sambista-professor”:
“Bem, estou pronto para regressar […] no trajeto de onde eu vim até onde estou uma frase não me escapa dos meus olhos: tomaria o mesmo caminho, seguiria o mesmo trem, pararia nas mesmas estações e seria, de novo, um professor.” (Gouvêa, 2025, p. 144).
Nosso amigo dizia estar pronto para regressar, mas nós não estávamos preparados para ficar sem seu convívio amoroso, sua presença marcante. Fernando pegou um trem para uma outra estação, mas sua trajetória permanece, suas escolhas deixaram as marcas de quem foi, definitivamente, O professor. Assim, definido, como merecem os grandes educadores.
Escrever sobre sua repentina partida não garante expressar o que sentimos diante da perda de sua presença física. O departamento que pensa, teoriza e planeja a Educação para formar professores hoje carrega emoção, dor e saudade. O convívio, em conversas que se faziam trocas de saberes, nos foi subtraído.
Como educador, nosso amigo fez história. Nascido em Brasília, filho de pais operários, caminhou pelos palcos da vida, pelas salas de aula e chegou à Sapucaí. Fernando se inscreveu na história da Educação e do Samba, como pesquisador, compositor, poeta do carnaval e, como ele mesmo se denominou, um sambista professor.
Como ele próprio repetia, o amor pelos baluartes do samba era algo incompreensível e inexplicável. Mas nada disso teria sentido sem a presença amorosa de sua esposa, Denize Peterson, e de seu filho, Daniel Gouvêa, com quem nos solidarizamos neste momento de dor imensurável.
Fernando foi a voz da sensatez nas reuniões de departamento e a voz da alegria nos lanchinhos na cantina. Estudioso da História da Educação, foi um líder comprometido com seu grupo de pesquisa, o LHELA (Laboratório de História da Educação Latino-Americana), orientou e formou mestres e doutores no PPGEDUC/UFRRJ (Programa de Pós-Graduação em Educação em Contextos Contemporâneos e Demandas Populares), e foi um colega sempre muito generoso.
Como professor, muito amado pelos alunos, tinha sempre uma palavra carinhosa, ou engraçada, pra cumprimentar seus colegas e alunos pelos corredores do Instituto de Educação. Fazia das suas aulas comunidades de afetos, sentidos e histórias para a transformação social e a construção de uma educação democrática. Com maestria, permitia que teóricos da Educação, a poesia e os batuques do samba dialogassem livremente.
Sua despedida ocorrerá amanhã, terça, 25/08, no Cemitério São Francisco Xavier, com velório a partir das 12h na capela B e sepultamento às 15 horas.