IM/UFRRJ se consolida como um dos principais polos de ensino superior público da Baixada Fluminense
Em 2006, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) iniciou a implantação do Instituto Multidisciplinar (IM), no município de Nova Iguaçu, com a oferta de seis cursos superiores. Ao longo dos anos, a Rural desenvolveu forte identificação com o território iguaçuano e ampliou de modo significativo as ações de ensino, pesquisa e extensão. Atualmente, são mais de cinco mil estudantes matriculados em 13 cursos de graduação e três programas de pós-graduação. Números que estão para crescer, a partir do próximo ano, já que o câmpus teve duas propostas aprovadas pelo programa Universidades Transformadoras, do Ministério da Educação (MEC).
O reitor Roberto Rodrigues, professor do Departamento de Ciências Econômicas do IM/UFRRJ, destaca a importância da chegada da Rural à região: “A presença de uma universidade pública no coração da Baixada Fluminense ampliou o acesso de muitos estudantes aos cursos de graduação, especialmente no período noturno. O que também foi fundamental para ampliar as possibilidades de acesso ao ensino superior para trabalhadores e trabalhadoras”.
Já o diretor do IM/UFRRJ, professor Márcio Borges, enfatiza o protagonismo da instituição: “Quando a UFRRJ vai para Nova Iguaçu, ela sai de si mesma e, de fato, vai se encontrar como uma Universidade da Baixada Fluminense”. Ao exemplificar como a localização do Instituto favorece uma relação mais próxima com o território, o docente menciona O Conto da Ilha Desconhecida do escritor José Saramago: “Ele diz que para conhecer a ilha, você precisa sair da ilha e é isso que a UFRRJ faz quando vai de Seropédica para Nova Iguaçu e consegue realizar uma interação com o seu território no dia a dia”.
A presença estratégica da Rural na região também é apontada por Alexandre Fortes, professor do Departamento de História e ex-diretor do IM (gestão 2013-2017): “A Baixada Fluminense possui uma das maiores concentrações de jovens de 18 a 24 anos no país, que são o público prioritário das políticas de ampliação do acesso ao ensino superior”. Fortes pontua que o Instituto é a principal unidade de ensino público superior da região e, ao longo desses 20 anos, já registrou um impacto muito positivo na formação de profissionais de diversas áreas. O docente menciona ainda as atividades de pesquisa e extensão, que contribuem para o avanço do desenvolvimento econômico e social sustentável, assim como para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades.
Um pouco de história
Criado no contexto de interiorização do ensino superior no país, por meio do Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), o IM/UFRRJ funcionou provisoriamente em diferentes instalações no município, entre elas, o Colégio Municipal Monteiro Lobato, o Colégio Leopoldo e o prédio da Diocese de Nova Iguaçu. Desde março de 2010, as atividades estão concentradas no câmpus localizado na Avenida Governador Roberto Silveira, s/nº, em uma área de 44 mil metros quadrados.
Atual diretor do câmpus, o técnico-administrativo em educação Geraldo Pinheiro chegou ao Instituto em 2009, quando as atividades ainda funcionavam em instalações alugadas e cedidas à Universidade. Para ele, uma das principais transformações ocorridas desde então foi a expansão física da unidade. “Sem dúvida, vejo como a maior transformação do câmpus Nova Iguaçu o crescimento físico do nosso conjunto arquitetônico de cerca de 13 mil metros quadrados de área construída, levando a desafios de logística e de gestão dessa estrutura”, relata.
Alexandre Fortes, que dirigiu o IM de 2013 a 2017, destaca a construção do prédio da pós-graduação como um dos marcos da consolidação do câmpus. “A gestão que compartilhei com a professora Márcia Pletsch, como vice-diretora, alcançou muitas realizações importantes a partir das adversidades. Eu destacaria a conclusão do prédio da pós-graduação, uma iniciativa em que nós nos empenhamos muito”. Segundo o docente, a estrutura contribuiu para a expansão das atividades acadêmicas. “Essa estrutura, além de proporcionar salas adicionais, teve um papel simbólico fundamental na afirmação do potencial de desenvolvimento acadêmico pleno do instituto, incluindo atividades pioneiras de pós-graduação, pesquisa e extensão, que se somam à base do nosso trabalho, que é o ensino de graduação, e contribuem para elevar a sua qualidade.”
Outro marco na história do câmpus foi a eleição da primeira mulher para o cargo de diretora (gestão 2023-2025), a técnico-administrativa Ana Carolina do Carmo Barboza, assessora especial e chefe de Gabinete substituta da Reitoria. Egressa do curso de Pedagogia do IM, Ana Carolina tomou posse como TAE em 2008. Ao relembrar sua trajetória, ela destaca o significado de, anos depois, ocupar um espaço de decisão: “Esse momento mostrou que uma instituição não se consolida apenas por seus prédios, seus cursos ou seus números. Ela se consolida, sobretudo, pelas pessoas que forma, pelas oportunidades que cria e pelas histórias que transforma”.
Construção coletiva
A atuação conjunta da comunidade universitária é uma das marcas da trajetória do IM/UFRRJ. É o que ressalta o professor Paulo Cosme, chefe do Departamento de Ciências Jurídicas e ex-diretor do Instituto (gestão 2017-2021 e 2021-2025): “Destaco, sem dúvida, a importância da aliança informal entre servidores, professores, técnicos, alunos e colaboradores na construção de um ambiente harmonioso e superador de desafios diários. Esse compromisso e companheirismo promoveram o crescimento coletivo, com reflexos positivos no câmpus e na comunidade do entorno”.
Paulo Cosme também pontua como essa postura contribuiu para o fortalecimento do Instituto, com avanços no ensino, na pesquisa e na extensão, bem como na criação de novos cursos de graduação e pós-graduação. “É a união pelo propósito comum de fazer a diferença na vida dos alunos, especialmente dos moradores da Baixada Fluminense”.
Opinião compartilhada por Ana Carolina, que destaca como a consolidação do Instituto como referência acadêmica e social exigiu a dedicação de toda comunidade: “Esse processo exigiu planejamento, diálogo, capacidade de adaptação e, principalmente, o compromisso coletivo de servidores, docentes, técnico-administrativos, estudantes e gestores. Um percurso marcado pela superação de desafios estruturais e institucionais e pela construção coletiva de uma identidade acadêmica comprometida com a excelência, a inclusão e a transformação social”.
Excelência acadêmica
O Instituto Multidisciplinar oferece, atualmente, formação superior em Administração, Ciências da Computação, Ciências Econômicas, Direito, Geografia, História, Letras – Português/Literaturas, Letras – Português/Espanhol/Literaturas, Educação Especial, Matemática, Matemática Aplicada e Computacional, Pedagogia e Turismo. O câmpus também sedia o Programa de Pós-Graduação em Patrimônio, Cultura e Sociedade (PPGPACS), o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Humanidades Digitais (PPGIHD) e o curso de especialização em Educação Especial e Inovação Tecnológica.
Com a aprovação de quatro propostas da UFRRJ pelo programa Universidades Transformadoras, da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (SESu/MEC), estão previstas duas iniciativas para o IM: (1) a criação da graduação em Design Educacional, nas modalidades licenciatura e bacharelado; (2) a transformação do bacharelado em Ciência da Computação em modelo de entrada única com duas trilhas de diplomação – Ciência da Computação e Inteligência Artificial.
Pesquisa socialmente comprometida
A produção acadêmica ruralina também mantém estreita relação com questões presentes no território. Renato Noguera, professor do Departamento de Educação e Sociedade (IM/UFRRJ), pontua que a Baixada Fluminense não é apenas o lugar onde o Instituto Multidisciplinar está instalado, mas parte da própria experiência de ensino e pesquisa. “A Baixada atravessa o que pesquisamos, o que ensinamos e a maneira como compreendemos a função da universidade pública”, afirma. Segundo o professor, questões relacionadas às desigualdades sociais e raciais, à mobilidade urbana, à educação, ao trabalho e ao acesso a direitos fazem parte desse contexto, mas não devem definir sozinhas a imagem da região.
“Nossos estudantes não chegam à universidade vazios, esperando que ela lhes entregue conhecimento. Eles trazem experiências, repertórios familiares, saberes comunitários, religiosos, artísticos e políticos. Esses saberes entram nas salas de aula, desafiam teorias estabelecidas e modificam nossas pesquisas. No Instituto Multidisciplinar, a universidade ensina, mas também precisa aprender com o território”, ressalta Noguera, que é coordenador do Grupo de Pesquisa Afroperspectivas, Saberes e Infâncias (Afrosin) e pesquisador do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Leafro).
Entre as iniciativas dedicadas à pesquisa, destacam-se o Leafro, o Centro de Inovação Tecnológica e Educação Inclusiva (CITEI), o Laboratório Multidisciplinar de Ensino, Pesquisa e Extensão (LAMEPE), o Laboratório de Climatologia e Ensino de Geografia (ClimaEnGeo), o Artificial Intelligence Rural Lab (AIRLab) e o Laboratório de Geociências e Estudos Ambientais. O Instituto também sedia o Centro de Documentação e Imagem (CEDIM), que, desde 2013, mantém acervo histórico digitalizado de caráter sonoro, visual e iconográfico relacionado à UFRRJ e à Baixada Fluminense.

Para Noguera, a Universidade tem papel importante no reconhecimento das experiências e conhecimentos produzidos no território. “A presença do Instituto Multidisciplinar em Nova Iguaçu tem, portanto, um sentido acadêmico, social e simbólico. Ela afirma que a Baixada não está à margem do conhecimento. É centro de experiências, perguntas e respostas fundamentais para pensarmos o Brasil. A universidade valoriza o território quando não fala apenas sobre ele, mas fala com ele e cria condições para que seus moradores falem por si mesmos”, conclui.
Diálogo com a comunidade
A atuação do IM/UFRRJ se estende para além das atividades acadêmicas. Entre as iniciativas de extensão desenvolvidas no câmpus Nova Iguaçu, destacam-se ações de divulgação científica, como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), a Feira da Agricultura Familiar e a Escola Popular de Artes (EPA), que oferece oficinas gratuitas de arte e cultura para toda a comunidade.






Outros setores do IM/UFRRJ mantêm atividades diretamente relacionadas ao atendimento do público. É o caso do Núcleo de Prática Jurídica do curso de Direito, que oferece atendimento jurídico gratuito a pessoas de baixa renda, e da Empresa Júnior vinculada ao curso de Administração, que desenvolve atividades de consultoria voltadas principalmente a pequenas e microempresas da região.
Desafios para continuar avançando
A expansão das atividades no câmpus Nova Iguaçu também é acompanhada por desafios. “O principal desafio relacionado à infraestrutura e às condições de funcionamento, refere-se à escassez de recursos financeiros para investimentos de capital”, pontua Geraldo Pinheiro, diretor do câmpus. Neste contexto, o diretor do IM, Márcio Borges, destaca a importância da articulação com diferentes setores: “O diálogo com a Reitoria, direção de câmpus, Consuni do IM, Adur, Prefeitura de Nova Iguaçu, demais universidades baseadas no território, assim como com coletivos sociais tem sido muito profícuo”. De acordo com Borges, o Instituto obteve três emendas parlamentares, destinadas à substituição de aparelhos de ar-condicionado, à renovação dos computadores de laboratórios e à implantação de uma Cuidoteca. “Não vamos parar por aqui, vamos trabalhar para seguir melhorando, há bastante coisa para ser feita”, afirma.
Para o reitor Roberto Rodrigues, o futuro do câmpus passa pela ampliação de sua atuação acadêmica e pela busca de novas parcerias. “Teremos, agora, a possibilidade de inclusão de novos cursos que permitam pensar o câmpus Nova Iguaçu numa linha que antes não se pensava. A área fortalecida da Licenciatura, alguns bacharelados e, agora, desenvolvimento de tecnologias. Isso tudo vai permitir uma possibilidade de parcerias muito grande”, relata. Na avaliação do reitor, esse movimento também exige que o câmpus projete novas possibilidades: “É importante destacar a necessidade de o câmpus se avaliar e se propor a um avanço para o futuro”, conclui.
Confira a seguir mais fotos do câmpus:




A solenidade de comemoração dos 20 anos do Instituto Multidisciplinar ocorrerá no dia 19 de agosto, às 18 horas, em seu auditório. O evento será aberto ao público. Para mais informações, clique aqui.
Por Michelle Carneiro, jornalista da Coordenadoria de Comunicação Social (CCS/UFRRJ).