Da biologia à engenharia, mulheres brasileiras ajudaram a construir a ciência do país, e suas trajetórias mostram por que ainda é importante ampliar a presença feminina nesses espaços. Elas estiveram na matemática, na engenharia, na educação, na pesquisa sobre a biodiversidade e em tantas outras áreas, mesmo quando o acesso a eles ainda era bastante limitado.

É esse protagonismo que a 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) 2026 coloca em destaque, com o tema “Ciência delas”. A proposta é valorizar a participação feminina na produção e na divulgação científica e estimular novas gerações de meninas e mulheres a ocuparem esses espaços.

Conheça algumas brasileiras que ajudam a contar essa história:

Bertha Lutz – Biologia

Uma das pioneiras da ciência brasileira, Bertha Lutz (1894 – 1976) foi bióloga formada pela Sorbonne e pesquisadora na área de zoologia. Seus estudos se concentraram principalmente nos anfíbios brasileiros. Ao mesmo tempo, Bertha teve papel de destaque na luta pelos direitos das mulheres e pelo direito ao voto feminino no Brasil.

Elisa Frota Pessoa – Física

Em uma área ainda marcada pela desigualdade de gênero, Elisa Frota Pessoa (1921 – 2018) ajudou a revolucionar a física no Brasil. Formada em 1942, dedicou-se à pesquisa em radioatividade e participou da criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

Maria Laura Mouzinho Leite Lopes – Matemática

Maria Laura Mouzinho Leite Lopes (1917 – 2013) foi a primeira mulher a obter o doutorado em matemática no Brasil e a primeira mulher a integrar a Academia Brasileira de Ciências. Além da pesquisa, dedicou parte importante de sua carreira à educação matemática e à formação de novas gerações.

Enedina Alves Marques – Engenharia

Em 1945, Enedina Alves Marques (1913 – 1981) tornou-se a primeira mulher negra a se formar em engenharia no Brasil, pela Universidade Federal do Paraná. Professora e engenheira, trabalhou em projetos ligados à infraestrutura e à produção de energia no Paraná.

Graziela Maciel Barroso – Botânica

Considerada uma das maiores referências da botânica brasileira, Graziela Maciel Barroso (1912 – 2003) teve uma trajetória pouco convencional. Começou a trabalhar no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e desenvolveu sua formação inicialmente de maneira autodidata. Aos 47 anos, ingressou no curso de Biologia e, posteriormente, tornou-se doutora e uma referência internacional em taxonomia vegetal.

Por que falar sobre elas?

Essas cinco mulheres, entre muitas outras, atuaram em áreas e períodos diferentes, mas têm algo em comum: precisaram conquistar espaço em ambientes nos quais a presença feminina ainda era limitada.

Por isso, falar sobre mulheres na ciência, para além de resgatar nomes do passado, é também discutir quem tem acesso à produção de conhecimento, quem consegue permanecer na carreira científica e quem é reconhecido como referência.

Para a universidade pública, essa discussão é especialmente importante. É nesses espaços que novas pesquisadoras são formadas, que diferentes áreas do conhecimento se encontram e que parte significativa da ciência brasileira é produzida.

Quer saber mais sobre a SNCT 2026 na UFRRJ? Acompanhe a programação, notícias e demais informações no site oficial do evento: https://snct.im.ufrrj.br/.

Texto: Victória da Silva / Jornalista Bolsista na Proext