
O Programa de Educação Tutorial História (PET História) promove, entre os dias 19 e 22 de outubro, a XVI Jornada PET. O evento, que acontece no auditório Paulo Freire, no Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), câmpus Seropédica, é aberto ao público e realiza oficinas, debates, apresentações de trabalhos, dentre outras atividades.
Criado em 2007 pela professora Margareth Gonçalves, o PET História promove anualmente a Jornada PET, que tem como principal objetivo divulgar e valorizar os trabalhos de pesquisas realizadas pelo corpo discente do curso de graduação em História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O Programa é o segundo mais antigo da Universidade e conta com a participação de 18 alunos e 1 tutor.
A professora de História Medieval e tutora do Programa, Carolina Gual, conta como é o processo de organização do evento: “São muitas camadas de organização, então desde encontrar quem são os convidados que você quer trazer, fazer os convites, encontrar as agendas que todo mundo possa, pensar em toda a estrutura, desde coffee break até a organização das mesas. Uma das atividades mais desafiadoras é organizar as mesas de comunicação da forma mais orgânica possível porque tem uma diversidade de temas muito grande e a gente procura criar mesas que possam estabelecer diálogo”.
A tutora também acrescenta que a diversidade de temas permite a construção de discussões que ultrapassam os limites da História, ampliando o diálogo entre as áreas do conhecimento e o envolvimento da comunidade universitária: “Cada ano que passa o que a gente percebe é sempre um envolvimento cada vez maior dos alunos, dos colegas do departamento, de outros cursos, tem gente de Belas Artes, gente de Ciências Sociais, gente da Matemática”, conta.
Carolina afirma que um dos objetivos do evento é ampliar a participação de pessoas de fora da Universidade. Nesta edição, haverá a apresentação de um estudante do Ensino Médio que participa do projeto Jovens Talentos, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), e desenvolve atividades no Centro de Documentação (CEDC), setor parceiro do PET História.
Nas edições anteriores, a Jornada também recebeu pessoas envolvidas com a comunidade externa, incluindo trabalhos sobre religiões de matriz africana e experiências educacionais desenvolvidas fora da instituição.

(foto: Eduarda Beloti)
O evento teve início nesta segunda-feira (19/10), com uma oficina de digitalização de documentos in loco, ministrada por Davi Rogério e Ana Carolina Bezerra, organizadores do evento e alunos de graduação do curso de História. Durante a atividade, os participantes aprenderam técnicas básicas de fotografia para uso de celular, normas de digitalização do Arquivo Nacional, metodologia para criação de acervos pessoais e base de dados, entre outras técnicas.
Mesa de abertura
A cerimônia oficial de abertura aconteceu às 13 horas. A solenidade contou com a presença do vice-diretor do ICHS, Luiz Felipe Brandão Osório; da professora de História do Brasil, Adriana Barreto; do professor de História Medieval e coordenador do Departamento de História, Clínio Amaral; e da professora e tutora do PET-História, Carolina Gual.

(foto: Eduarda Beloti)
O evento foi aberto por Carolina Gual que agradeceu aos presentes e apresentou a programação da semana. A mediação seguiu com o vice-diretor do ICHS, Luiz Felipe Brandão, que destacou a importância dos eventos presenciais para fortalecer as relações pessoais e o senso de coletividade na Universidade. Também ressaltou o papel da História na compreensão da sociedade e dos acontecimentos contemporâneos, afirmando que o conhecimento histórico é fundamental para interpretar o presente e planejar o futuro.

Para Brandão “o fato de ter pessoas caminhando na mesma direção faz com que o povo só cresça, só ganhe na pesquisa, no ensino, na extensão e iniciativas tão valorosas quanto essa que permitem esse contato direto com a história”.
Já Adriana Barreto, professora do curso e ex-tutora do PET História, relembrou a trajetória do curso de História da UFRRJ. Ao recuperar este histórico, ressaltou a importância de reconhecer que a estrutura universitária atual é resultado de transformações e conquistas ao longo do tempo. A professora, que foi sucessora da criadora do Programa, Margareth Gonçalves, também apresentou alguns projetos já realizados pelo PET História dentro dos últimos 15 anos, e compartilhou como foi bem recebida pelos alunos, conhecidos como ‘petianos’, que já integravam o programa e a ajudaram no processo.

(foto: Eduarda Beloti)
A primeira Mesa de Comunicação do evento teve início às 14 horas, com o tema “Normatividades, poderes e construções de identidade”. A mesa reuniu seis trabalhos que investigam como o poder é estabelecido e justificado por meio da religião, do direito, das narrativas históricas e das instituições.
Entre os trabalhos estava o de Antônia Ururahy, graduada do curso de História da UFRRJ, intitulado “A invenção de uma nação escolhida: a construção da identidade coletiva portuguesa a partir do Milagre de Ourique”. O estudo aprofunda um dos mitos fundacionais mais poderosos da história de Portugal, que atuou como elemento central na construção da identidade coletiva, moldando a percepção de Portugal como uma “nação escolhida”. Antônia levou trechos da obra “Crónica de D. Afonso Henriques” que deu origem a toda a estrutura narrativa do mito.

Após a apresentação dos trabalhos, a mediadora da mesa, Antônia Ururahy, abriu a sessão de pergunta aos participantes. Ao fim da atividade aconteceu um sorteio de três livros para o público presente no Auditório Paulo Freire.



Mayara Ribeiro, integrante do projeto Jovens Talentos, com atuação no Centro de Documentação (CEDC), contou como está sendo sua primeira experiência no evento: “Uma outra realidade pra mim, né? É tudo muito diferente e eu estou gostando muito da experiência, gostando muito das pessoas. Estou aprendendo de uma forma, assim, inexplicável”. Para Mayara, os conhecimentos adquiridos são muito importantes para a prática.
A segunda mesa de comunicação teve o tema “Culturas e lutas populares brasileiras”. Às 18h30, a mesa de debate com os temas: “Ainda estamos aqui tendo a História como aliada”, com Paloma Buquer e “Possibilidades e atuação dos historiadores na era digital”, com Rafael Mattoso, fechou as atividades do primeiro dia.
As atividades continuam até quinta-feira, dia 22/10. A programação completa da XVI Jornada PET História pode ser consultada no perfil oficial do evento no Instagram @pethistoriaufrrj
Texto e fotos: Eduarda Beloti, estudante de Jornalismo e estagiária da CCS/UFRRJ.


