Encontro também reuniu ministras de Estado, lideranças políticas e movimentos sociais para debater avanços em medidas protetivas, ampliação de canais de acolhimento e fortalecimento de redes de proteção às mulheres

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) participou da cerimônia oficial dos 200 dias de vigência do Pacto Brasil Contra o Feminicídio, realizada na última quinta-feira (10/09), no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). Representando a instituição, a coordenadora da Coordenação da Política Institucional pela Diversidade, Gênero/Etnia, Raça e suas Interseccionalidades (CPID), Meiry Valentim, acompanhou o evento voltado ao fortalecimento das redes de apoio, ao enfrentamento do feminicídio e à garantia dos direitos das mulheres.

A participação da UFRRJ reafirma o papel da Universidade no acompanhamento e no fortalecimento das iniciativas intersetoriais de garantia dos direitos humanos, equidade de gênero e combate às violências dentro e fora da comunidade acadêmica.

A coordenadora da Coordenação da Política Institucional pela Diversidade, Gênero/Etnia, Raça e suas Interseccionalidades (CPID), Meiry Valentim

A abertura solene contou com a execução do Hino Nacional à capela, interpretado pela cantora Teresa Cristina. Em seguida, as manifestações institucionais enfatizaram a urgência da articulação contínua entre os poderes Executivo e Judiciário e a sociedade civil para assegurar medidas de proteção rápidas e eficazes em relação à vida das mulheres em situação de vulnerabilidade.

A primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, iniciou seu discurso relembrando casos recentes de feminicídio registrados no estado do Rio de Janeiro, contextualizando a dimensão cotidiana e estrutural da violência. Janja reforçou que as políticas públicas precisam responder com rapidez às denúncias para interromper o ciclo de agressões antes que se tornem casos letais. 

Durante o evento, os debates destacaram avanços alcançados no período, com destaque para a otimização dos fluxos judiciais: o tempo médio para a expedição e concessão de medidas protetivas de urgência foi reduzido para aproximadamente 48 horas. Na área da saúde pública e do acolhimento inicial, foram citadas as funcionalidades dos canais digitais integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS), que contam com equipes multidisciplinares qualificadas para identificar de forma ágil sinais de risco e direcionar os casos à rede socioassistencial e policial.

A mesa de autoridades, além de Janja, contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Helena Lopes e da ex-ministra e ativista, Cida Gonçalves; da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck; da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros de Oliveira; além do ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães, e da deputada federal Jandira Feghali.

Também compôs a mesa de honra o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio e governador em exercício do estado do RJ. Em seu pronunciamento, ele destacou o simbolismo da expressiva presença feminina nos espaços decisórios e a centralidade das ações de caráter preventivo, tanto no campo da educação quanto na consolidação de canais seguros para denúncia.

No plenário, o encontro mobilizou importantes lideranças e militâncias históricas das causas populares, feministas e de direitos humanos, como a deputada federal Benedita da Silva e Marinete Silva, mãe da ex-vereadora Marielle Franco. As intervenções ao longo da manhã reafirmaram o compromisso coletivo com o fortalecimento de redes locais de apoio, capacitação continuada de servidores da segurança pública e ampliação de serviços de acolhimento em regiões periféricas e do interior, consolidando a integração institucional como ferramenta indispensável para erradicar a violência contra a mulher.

Texto: Giovana Borges, bolsista de jornalismo da CPID

Fotos: coordenação da CPID