
Entre julho e outubro de 2025, a Coordenadoria de Comunicação Social (CCS) publicou uma série no Portal e em suas redes sociais para celebrar os 115 anos de origem da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Os ‘posts’ foram muito bem recebidos pelos leitores, o que motivou a CCS a reuni-los numa única edição em formato PDF, lançada em dezembro passado.
No dia 25 de agosto de 2026, uma versão impressa desta publicação foi doada ao Centro de Memória e Museu Casa do Reitor. Trata-se de um agradecimento e um reconhecimento de toda a equipe da Comunicação pelo papel fundamental que o Centro desempenhou na construção do conteúdo da série, especialmente na cessão das fotografias históricas que ilustraram boa parte do trabalho.
A doação foi realizada na própria sede do Centro de Memória (CM), câmpus Seropédica, pela coordenadora de Comunicação Fernanda Barbosa, idealizadora do projeto. Ela entregou o exemplar a Thalles Yvson, curador do Centro e vice-coordenador do Núcleo de Articulação de Acervos e Coleções (Naac/UFRRJ).
Também participaram os integrantes da CCS envolvidos na edição: o designer Samuel Tavares Coelho (responsável pelo projeto gráfico), a jornalista Miriam Braz (autora de parte das fotografias) e o jornalista João Henrique Oliveira (pesquisa e texto final). A impressão do material ficou sob responsabilidade de outro membro da equipe: o designer Alexandre de Souza Souto.

Parceria fundamental
Desde a fase inicial do projeto, o CM foi um parceiro fundamental da CCS, possibilitando a criação de uma edição ricamente ilustrada. Se não fossem as imagens de seu acervo, gentilmente cedidas, três terços da série seriam somente um amontoado de texto e informações históricas. Além disso, o Centro também foi um aliado na divulgação da série, atuando como colaborador das postagens em sua página no Instagram.
As fotografias do CM serviram como verdadeiras “máquinas do tempo” que viajaram pelas primeiras décadas da instituição (de 1910 a 1948); por sua instalação em Seropédica (a partir do final dos anos 40); pelos tempos de resistência à ditadura (anos 60 a 80); e pelos primeiros passos na consolidação de sua democracia interna (a partir da década de 90). Desde prédios em construção até cenas do cotidiano dos estudantes, as imagens ilustram como a Universidade passou por desafios e transformações que foram vividos em compasso com as mudanças na sociedade brasileira e no mundo.
Na visita ao Centro de Memória/Museu Casa do Reitor, a equipe da CCS pôde experimentar igualmente um “efeito máquina do tempo”, proporcionado tanto pela arquitetura da residência – que no passado hospedava os reitores – quanto pelos objetos que compõem a exposição permanente realizada no local. De acordo com o curador, a configuração do espaço foi pensada exatamente para refazer o percurso da instituição, desde suas raízes em 1910 – com a criação da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (Esamv) – até os momentos vividos a partir da inauguração do câmpus de Seropédica.



Passado elitista, resistências e transformações
Um dos pontos mais significativos da mostra se encontra na sala que simula um gabinete de reitor. Em cima da antiga mesa, pode-se ver uma galeria com todos os reitores do século XX. As imagens ali confirmam o passado patriarcal da instituição, criada para atender aos interesses das elites agrárias da Primeira República: todos os retratados são homens brancos.
À esquerda da galeria, uma pilha de fichas remete a um período de desigualdade e racismo estrutural. Os documentos são registros de empregados contratados pelos estudantes da época – filhos das mesmas elites, eles contavam com cozinheiros e garçons para servi-los no restaurante universitário.
A primeira ficha é de Waldir Santos Silva. Um homem negro nascido em 1921, contratado para ser cozinheiro e tendo concluído apenas o ensino primário. Um cidadão que, no passado da Rural elitista, era um invisível da história oficial. Hoje, Waldir tem direito a ocupar um expressivo lugar de memória na exposição do CM.
Outros detalhes sobre a mesa saltam aos olhos como signos da resistência e da transformação. Uma ausência proposital é um sutil (mas eloquente) protesto contra o arbítrio sofrido nos tempos da ditadura: a foto do interventor nomeado pelo governo militar não foi colocada na moldura. Esse vazio do porta-retrato fala em alto e bom som: ditadura nunca mais!
E para demarcar o caminho que a UFRRJ trilhou rumo à democracia, outro porta-retrato está de pé, como se estivesse confrontando altivamente o elitismo e o autoritarismo que já passaram por aqui. A foto é do educador Paulo Freire recebendo, em 1993, o título de Doutor Honoris Causa. Uma imagem que a CCS também fez questão de reproduzir em sua edição comemorativa dos 115 anos.
A importância das coleções científicas
O Centro de Memória/Museu Casa do Reitor é um dos sete museus da UFRRJ, reunidos no Núcleo de Articulação de Acervos e Coleções (Naac), vinculado à Pró-Reitoria de Extensão (Proext). Criado em 2020, o Naac tem como objetivo promover um espaço de discussão sobre a importância das coleções científicas. Além dos museus, o Núcleo ainda articula sete coleções biológicas, três coleções históricas/documentais e três coleções didáticas. O Naac conta com a coordenação de Andressa Esteves e, como citado anteriormente, com a vice-coordenação de Thalles Yvson (saiba mais lendo a matéria que publicamos sobre o 5º aniversário do setor: https://portal.ufrrj.br/naac-ufrrj-celebra-5-anos-fortalecendo-a-preservacao-e-difusao-do-patrimonio-cultural/ ).
Sempre de portas abertas para a visitação da comunidade, o CM recebe seu maior público especialmente nos momentos de realização de dois grandes eventos da agenda ruralina: a Semanal Rural e a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). Segundo Yvson, o espaço contabilizou 1.200 visitas durante a última Semana Rural, realizada de 25 a 31 de maio deste ano. O Centro conta ainda com o apoio de dois bolsistas e 18 voluntários. Duas das voluntárias estavam presentes no momento da entrega do exemplar: as estudantes Camille Santos de Lima (História) e Pamela Cristina Souza (Ciências Sociais).
Com a missão de preservar e salvaguardar acervos que remetem à história e memória da UFRRJ, o CM também está de braços abertos para receber doações de objetos e arquivos — que podem se transformar em máquinas do tempo para nos fazer viajar pelo passado ruralino.
Serviço
Centro de Memória e Museu Casa do Reitor
Instagram: @cm.ufrrj
Informações e agendamento para visitação: centrodememoria@ufrrj.br
Site: https://institucional.ufrrj.br/cmemoria
UFRRJ 115 anos
Série
Publicação especial
Texto: João Henrique Oliveira (CCS/UFRRJ)
Fotos: Miriam Braz e Fernanda Barbosa (CCS/UFRRJ)


