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A fundação da Sociedade Botânica do Brasil há 70 anos

Botânica Militante – A fundação da Sociedade Botânica do Brasil há 70 anos – E a Rural com isso?

 

Marilena da Silva Conde (a), Pedro Germano Filho (a), Marcelo da Costa Souza (a), Massimo G. Bovini (b) e Ariane Luna Peixoto (c)

 

Excursão durante a 1º reunião da SBB, em 1950, na UFRRJ: Honório Monteiro (à esq.), Fernando Milanez e Heitor Grillo; o primeiro e o terceiro, professores da UFRRJ

Professores do Departamento de Botânica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), com a colaboração de colegas de outras instituições brasileiras, vêm trabalhando com memórias e histórias dos primeiros momentos de criação da Sociedade Botânica do Brasil (SBB), estabelecida há 70 anos.

 

A fundação da SBB e a sua 1ª Reunião Anual realizaram-se no câmpus de Seropédica da Universidade Rural do Brasil, hoje UFRRJ, “no Quilômetro 47 da antiga rodovia Rio-São Paulo” (1). Em 9 de janeiro de 1950, o professor Alcides Franco, então diretor da Escola Nacional de Agronomia (ENA) presidiu a sessão de instalação da SBB, sendo a mesa constituída pelos professores e pesquisadores Felix Rawitscher, da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São Paulo; Fernando Romano Milanez e João Geraldo Kuhlmann, ambos do JBRJ; Honório Monteiro, da UFRRJ; Alexandre Brade, do Museu Nacional; e José Maria de Brito, prefeito de Itaguaí. Usando a palavra, Rawitscher definiu os objetivos da SBB e mostrou a influência decisiva que teria essa sociedade no progresso da botânica brasileira, e ressaltou: “Ciência é poder e, quando manejada para fins elevados, representa um penhor de garantia para o progresso das nações” (1).

 

Nesse mesmo dia foi eleita a diretoria, sendo Heitor Vinícius da Silveira Grillo (UFRRJ) seu primeiro presidente; J. G. Kuhlmann (JBRJ), vice-presidente, Honório da Costa Monteiro Filho (UFRRJ), 1º secretário; Luis Emygdio de Mello Filho (Museu Nacional), 2º secretário; Adyr Guimarães (IBGE), tesoureiro; e Fernando Romano Milanez (JBRJ), editor.

 

Percebe-se que a UFRRJ teve papel de destaque na instalação na SBB, organizando e sediando o evento, bem como participando da sua primeira diretoria.

 

Na 1ª Reunião Anual da Sociedade, foram apresentadas 17 comunicações científicas. Estiveram presentes o prof. Daniel de Carvalho, ministro da Agricultura e presidente de honra do evento, além dos professores Waldemar Raythe, diretor-geral do Centro Nacional de Ensino e Pesquisa Agronômica (Cenepa), e Tomás da Rocha Lagôa, então reitor da UFRRJ, como vice-presidentes de honra.

 

Todo o burburinho ocorrido entre os dias 9 e 16 de janeiro de 1950, quando 43 cientistas de diversos estados do país estiveram reunidos em Seropédica discutindo ciência e sociedade, foi noticiado do início ao fim em jornais do Rio de Janeiro, então capital federal (2). Tal fato demonstra a importância dada à criação da SBB, bem como a liderança e o reconhecimento que detinham os cientistas que idealizaram, instalaram e participaram da diretoria e do conselho superior.

 

O ano de 1950 foi de muito trabalho. Ao mesmo tempo em que a diretoria e o conjunto de associados organizavam e divulgavam a nova sociedade, buscavam diálogo com os governos federal e estaduais, de modo a opinar sobre políticas públicas para a educação, agricultura, ciência e tecnologia. No 2º semestre, organizaram conferências mensais no Rio de Janeiro e em São Paulo, sempre prestigiadas por público muito diverso (3).

 

Em 1959, a UFRRJ voltou a sediar o 10º Encontro Anual da SBB, realizado de 18 a 25 de janeiro. Desta feita, chegou ao câmpus de Seropédica uma SBB robusta, não só para comemorar a sua fundação, como para avaliar suas atividades e planejar o seu futuro. A SBB havia contribuído, sim, com a educação pública e a ciência no país, ao estimular discussões conjuntas sobre pesquisas realizadas por cientistas de distintas áreas e de diferentes instituições; ao buscar interlocução com o governo e a sociedade; ao levar ao poder público as demandas da ciência botânica e da conservação dos recursos naturais. Além da diretoria nacional, a SBB agora dispunha de seções regionais em alguns estados da federação, com diretorias próprias. Em 1959, a diretoria nacional era constituída pelos professores Monteiro Filho (UFRRJ), presidente; Mello Filho (Museu Nacional/UFRJ), vice-presidente; José da Cruz Paixão (UFRRJ), 1º secretário; Dalmo Giacometti (Embrapa), 2º secretário; e Luiz Carvalho, como tesoureiro (4).

 

Ao aproximar-se do septuagésimo aniversário, a SBB reúne anualmente a comunidade botânica em um congresso nacional que congrega mais de mil participantes e também realiza eventos regionais. Participa de comissões e fóruns nacionais e regionais, buscando levar a palavra de seus associados à tomada de decisões sobre ciência, tecnologia, educação, conservação e uso sustentável dos recursos naturais. Irmanada à SBB, a UFRRJ continua ativa e participativa em suas atividades, ações e decisões. A diretoria da seção regional do Rio de Janeiro atualmente tem como vice-presidente o professor do Departamento de Botânica da UFRRJ, Marcelo da Costa Souza.

 

(a) Professores do Departamento de Botânica (ICBS/UFRRJ); (b) Pesquisador do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ); (c) Professora aposentada da UFRRJ e pesquisadora do JBRJ

 

Notas

 

(1) Resumo dos Trabalhos de Instalação da Primeira Reunião Científica, Sociedade Botânica do Brasil.1950.

 

(2) Jornal do Commercio, 13 fev.1950; Jornal do Brasil, 15 jan.1950; Jornal do Commercio, 17 jan.1950; Gazeta de Notícias, 17 jan.1950; Diário Oficial da União, 17 jan. 1950.

 

(3) Relatório da Diretoria. Sociedade Botânica do Brasil. Jan. 1951.

 

(4) Relatório da Diretoria. Sociedade Botânica do Brasil. Jan. 1960.


Postado em 15/10/2019 - 15:35

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